Chefe da ONU lembra que conflitos são grande causa da fome no mundo

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Até que os conflitos tenham fim e o desenvolvimento crie raízes no mundo, comunidades e regiões inteiras continuarão a enfrentar a fome, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança em Nova Iorque na semana passada (12), lembrando a conexão entre guerras e fome.

Cerca de 80% dos recursos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) estão sendo direcionados a regiões afetadas por conflitos. Cerca de 60% das 815 milhões de pessoas que sofrem com a fome atualmente vivem em regiões de guerra. Três quartos das crianças desnutridas do mundo também estão em países afetados por confrontos, alertou as Nações Unidas.

Menina aguarda mãe coletar água próximo à cidade de Jowhar, na Somália. Foto: ONU/Tobin Jones.

Menina aguarda mãe coletar água próximo à cidade de Jowhar, na Somália. Foto: ONU/Tobin Jones.

Até que os conflitos acabem e o desenvolvimento crie raízes no mundo, comunidades e regiões inteiras continuarão a enfrentar a fome, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança em Nova Iorque na semana passada (12), lembrando a conexão entre guerras e fome.

“A guerra em um país faz com que seus vizinhos tenham de fornecer alimentos e serviços básicos aos refugiados. Isso pode levar a uma maior instabilidade, afetando a segurança de uma região inteira e além”, disse Guterres.

As declarações foram uma resposta ao pedido do Conselho de Segurança feito em agosto de uma análise sobre o risco de fome em Iêmen, Somália, Sudão do Sul e nordeste da Nigéria.

“A prevenção, como sempre, deve ser nossa palavra de ordem”, disse ele, observando que os primeiros mecanismos de alerta de fome funcionaram bem nesses lugares, uma vez que a comunidade internacional respondeu rapidamente aos apelos nove meses atrás, com os doadores fornecendo quase 70% dos fundos necessários.

“Mas enquanto nós tivemos sucesso em manter a fome à distância, não mantivemos o sofrimento”, disse Guterres, acrescentando que enquanto a ajuda humanitária está salvando vidas” não lidamos com uma das principais causas dessas crises alimentares: o conflito”.

Cerca de 80% dos recursos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) estão sendo direcionados a regiões afetadas por conflitos. Cerca de 60% das 815 milhões de pessoas que sofrem com a fome atualmente vivem em regiões de guerra. Três quartos das crianças desnutridas do mundo também estão em países afetados por confrontos.

As partes em conflito nos quatro países citados informaram seu compromisso com a lei humanitária e de direitos humanos internacional — mas a maior parte deles não cumpriu o prometido.

Especificamente, Guterres pediu ao Conselho para continuar a se envolver e apoiar o processo político na Somália e encorajar o governo do país e suas unidades federativas a estabilizarem sua relação.

Em relação à Nigéria, onde as agências de assistência humanitária enfrentam obstáculos devido a ataques do Boko Haram, o secretário-geral incentivou o governo a desenvolver uma estratégia regional para enfrentar as causas profundas da crise.

No Iêmen, segundo Guterres, o mais importante é que as partes voltem à negociação e se concentrem em um acordo.

Quanto ao Sudão do Sul, ele pediu que as partes no conflito ajam de forma urgente para prevenir a insegurança alimentar e os crescentes movimentos migratórios que ameaçam a estabilidade da região e aumentam o sofrimento humano e a miséria.

Ressaltando a importância de uma abordagem que fortaleça a conexão entre o desenvolvimento humanitário e a paz, Guterres pediu compromisso urgente para ampliar o financiamento para esse tipo de ajuda. “A longo prazo, devemos nos concentrar nas comunidades e países que precisam emergir de conflitos prolongados e instabilidade. Devemos ajudar as pessoas não apenas a sobreviver, mas a prosperar”.


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