Chefe da ONU e líderes religiosos homenageiam vítimas de ataque a sinagoga de Pittsburgh

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Pedindo solidariedade contra o antissemitismo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou em um tributo inter-religioso na quarta-feira (31) na histórica sinagoga Park East, em Nova York, em homenagem às vítimas de um massacre a tiros em Pittsburgh no sábado (27).

O massacre cometido por um atirador na sinagoga Árvore da Vida, na cidade norte-americana de Pittsburgh, Pensilvânia, durante celebrações do sabá, deixou 11 mortos e seis feridos.

Crianças vestem camiseta onde se lê "unidos contra o ódio", em encontro na sinagoga de Park East, em Nova York. O evento ocorreu em memória aos que morreram durante ataque contra sinagoga de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Foto: ONU/Rick Bajornas

Crianças vestem camiseta onde se lê “unidos contra o ódio”, em encontro na sinagoga de Park East, em Nova York. O evento ocorreu em memória aos que morreram durante ataque contra sinagoga de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Foto: ONU/Rick Bajornas

Pedindo solidariedade contra o antissemitismo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou em um tributo inter-religioso na quarta-feira (31) na histórica sinagoga Park East, em Nova York, em homenagem às vítimas de um massacre a tiros em Pittsburgh no sábado (27).

Mais de 200 pessoas se juntaram na histórica sinagoga no Upper East Side, em Manhattan, incluindo líderes locais de diversas religiões e denominações, acompanhados de diplomatas e outros para pedir que todas as comunidades se levantem “unidas contra o ódio”.

O massacre cometido por um atirador na sinagoga Árvore da Vida, na cidade norte-americana de Pittsburgh, Pensilvânia, durante celebrações do sabá, deixou 11 mortos e seis feridos.

“Desde que me tornei secretário-geral (da ONU), tenho levantado minha voz contra o que acredito ser o crescimento do antissemitismo em muitas de nossas sociedades, e especialmente em minha parte do mundo na Europa, mas também acentuadamente na América do Norte”, disse Guterres, denunciando o “ato terrível” de sábado.

Citando outras formas de intolerância religiosa testemunhadas atualmente – incluindo contra muçulmanos e cristãos no mundo –, ele destacou que antissemitismo é “a forma de ódio mais velha e mais permanente” a ter permanecido na “história da humanidade”.

Pedindo um “forte investimento na coesão social”, ele destacou a responsabilidade de líderes de partidos políticos, organizações internacionais, religiosas e da sociedade civil na resposta às “causas que estão prejudicando” esta coesão e “criando condições para que estas formas de ódio se tornem mais e mais frequentes, e mais negativas na maneira que são expressas”.

O ato, intitulado “Unidos contra o ódio”, foi iniciado com uma interpretação da canção “Ose Shalom” – que significa “faça paz” em Hebraico – pelo coral de crianças da escola Park East Day School.

O rabino da sinagoga, Arthur Schneier, sobrevivente do Holocausto cuja família foi morta no campo de concentração nazista de Auschwitz, afirmou em seu discurso de abertura: “eu passei pelo pior. Eu vi o melhor do Homem e o pior do Homem, e o melhor do Homem irá prevalecer”.

O xeque Musa Drammeh, presidente do Centro Cultural Islâmico da América do Norte, disse que “é hora de esta nação lidar com as dificuldades e fazer desta união uma união mais perfeita e proibir ódio”.

O secretário-geral da ONU, que no passado comandou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), destacou que trabalhou de perto com a Sociedade de Ajuda aos Imigrantes Judeus (HIAS) naquele período, e que possui tremendo respeito pela organização. O apoio da congregação Árvore da Vida à HIAS foi um dos fatores que fez com que o atirador antissemita mirasse a sinagoga.

“Eles são uma expressão verdadeira de humanitarismo, mas também de humanismo e solidariedade”, disse, lamentando que o autor do ataque tenha escolhido mirar uma organização que “é o símbolo de tudo (que ele considera) bom no mundo”.

Entre outros líderes religiosos que participaram do evento, expressando rejeição a todas as formas de violência, intolerância e antissemitismo, estavam o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York; arcebispo Demetrios, primaz da Arquidiocese Grega Ortodoxa da América; e arcebispo Auza, observador permanente da Santa Sé para as Nações Unidas.


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