Chefe da ONU defende cooperação para conter ameaças climáticas em ilhas caribenhas

Para conter desafios globais especialmente ameaçadores para nações insulares vulneráveis, como algumas no Caribe, é essencial “enfrentar os ventos contrários juntos”, disse na quarta-feira (3) o secretário-geral das Nações Unidas na conferência anual da Comunidade Caribenha (CARICOM), em Santa Lúcia.

Guterres relembrou sua visita ao Pacífico Sul em maio, onde viu como “nações insulares do Pacífico estão respondendo à crise climática” ao focarem em investimentos para desenvolvimento. Ele também relembrou suas visitas após os furacões Irma e Maria gerarem caos em 2017, quando “em apenas poucos dias”, anos de “ganhos em desenvolvimento” foram destruídos em Barbuda e Dominica.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, em conferência da comunidade caribenha em Santa Lúcia, em 3 de julho de 2019. Foto: ONU

Para conter desafios globais especialmente ameaçadores para nações insulares vulneráveis, como algumas no Caribe, é essencial “enfrentar os ventos contrários juntos”, disse na quarta-feira (3) o secretário-geral das Nações Unidas na conferência anual da Comunidade Caribenha (CARICOM), em Santa Lúcia.

“A beleza de Santa Lúcia e a singularidade da voz e do estilo de vida de cada uma das ilhas do Caribe estão ameaçadas”, disse António Guterres à conferência de governos, que tem objetivo de focar nos obstáculos ao desenvolvimento sustentável.

Guterres relembrou sua visita ao Pacífico Sul em maio, onde viu como “nações insulares do Pacífico estão respondendo à crise climática” ao focarem em investimentos para desenvolvimento. Ele também relembrou suas visitas após os furacões Irma e Maria gerarem caos em 2017, quando “em apenas poucos dias”, anos de “ganhos em desenvolvimento” foram destruídos em Barbuda e Dominica.

“Os furacões Ivan e Thomas – e muitos outros que vieram antes do Irma e Maria – ainda estão gravados nas memórias do povo caribenho”, afirmou.

Conforme desastres naturais relacionados ao clima aumentam em frequência e intensidade, o chefe da ONU destacou que “os riscos às famílias e ao desenvolvimento irão apenas se intensificar”.

O que o Caribe passou deixa “abundantemente clara” a necessidade urgente de “reduzir emissões globais e trabalhar coletivamente para garantir que o aumento da temperatura global não ultrapasse 1,5°C acima de níveis pré-industriais”.

Guterres também convidou líderes de governos e do setor privado a apresentarem planos concretos na Cúpula da ONU para Ação Climática, em setembro, que podem resultar em um corte de 45% em emissões de gases causadores do efeito estufa até 2030 e alcançar neutralidade de carbono até 2050.

“Precisamos aumentar massivamente nossas ambições para reduzir as emissões e impulsionar o desenvolvimento resiliente, incluindo respostas às perdas e aos danos a partir dos impactos climáticos”, disse.

“Agir diariamente”

Guterres destacou a necessidade de “agir diariamente” para conter a “grave ameaça” representada por 8 milhões de toneladas de plásticos poluentes jogados nos ecossistemas marinhos.

“Da poluição por plásticos à erosão de linhas costeiras, eventos climáticos extremos mais frequentes, aumento do nível do mar e perda da biodiversidade; Estados caribenhos enfrentam imensa pressão”, afirmou o chefe da ONU.

Ele elogiou a “visão ousada” de líderes da CARICOM de tornar o Caribe a primeira Zona Resiliente ao Clima no mundo e chamou atenção para a criação de uma Instalação Caribenha de Resiliência para Recuperação.

Quando completa, a instalação tem objetivo de fornecer um mecanismo regional para encontrar talentos, experiências e soluções financeiras para a região, para construir comunidades e nações resilientes.

Restrições econômicas

Além da gestão de gastos recorrentes e crescentes com eventos relacionados ao clima, pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês) enfrentam em maioria uma série de constrições econômicas, de pequenos mercados domésticos à grande dependência de importações e restrições elevadas na dívida nacional, de acordo com o chefe da ONU.

“Estes desafios são ainda mais complicados pelas dificuldades que os SIDS enfrentam para mobilizar finanças para o desenvolvimento em termos acessíveis e adequados”.

Guterres disse apoiar medidas para aumentar o acesso a financiamento para o desenvolvimento; elegibilidade para Assistência Oficial para o Desenvolvimento, incluindo critérios de vulnerabilidade; e velocidade e previsibilidade de financiamentos para o clima.

O chefe da ONU também expressou “forte apoio” à proposta da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL) de converter dívidas em investimentos em resiliência, destacando que, “para alcançar isso e outros desafios globais, precisamos reafirmar o compromisso com multilateralismo”.

“Precisamos enfrentar os ventos contrários juntos”, destacou o secretário-geral. “Não há alternativa além de cooperação e colaboração”.

Avanços

Ao fim, Guterres agradeceu a CARICOM pela “forte cooperação” com a ONU e elogiou a Estratégia Antiterrorismo para a região, desenvolvida pelo escritório antiterrorismo da ONU.

Ele elogiou o comprometimento das nações caribenhas em nutrir cooperação regional para combater tráfico ilegal de drogas e cumprimentou os esforços de resposta à crise de refúgio e migração na região, “como um resultado da situação na Venezuela”.


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