Chefe da ONU critica bombardeios e afirma que ataques afetam negociações para fim do conflito sírio

Em conferência humanitária, secretário-geral da ONU critica falta de acesso humanitário da Organização na Síria para levar ajuda às populações mais vulneráveis e pede 7 bilhões de dólares para auxílio imediato.

Mulher síria e seu bebê na Macedônia, na fronteira com a Grécia. Foto: UNICEF/Tomislav Georgiev

Mulher síria e seu bebê na Macedônia, na fronteira com a Grécia. Foto: UNICEF/Tomislav Georgiev

Chefes de Estado e de governo se encontraram em Londres, Inglaterra, nesta quinta-feira (4) em uma Conferência sobre a Síria. Na reunião, o secretário-geral da ONU expôs três objetivos principais: levantar 7 bilhões de dólares neste ano em ajuda humanitária imediata; reunir apoio internacional a longo prazo; e proteger civis (acesse aqui a atualização). Na ocasião, Ban Ki-moon afirmou que a continuação dos ataques aéreos na Síria e a falta de acesso humanitário mostram a falta de comprometimento com as negociações para o fim do conflito no país.

“Não existe solução militar. Apenas o diálogo político, o diálogo inclusivo político, vai salvar os sírios do seu intolerável sofrimento”, afirmou Ban, criticando a falta de acesso humanitário em áreas civis cercadas e o aumento de ataques aéreos e atividades militares, que prejudicam as negociações de paz da ONU.

As discussões paralelas envolvendo representantes do Governo e da oposição tiveram início na segunda-feira (1) em Genebra, Suíça. Dois dias depois, elas foram adiadas pelo enviado especial da ONU para o país, Staffan de Mistura, por divergências entre as partes. As novas reuniões de negociação estão previstas para o dia 25 de fevereiro.

“Eu concordo plenamente com o enviado especial que não devemos ter negociações apenas para ter negociações. Os próximos dias deveriam ser usados para voltarmos à mesa, não para garantir mais ganhos no campo de batalha”, acrescentou, pedindo ao Conselho de Segurança da ONU e ao Grupo Internacional de Apoio à Síria para pressionar as partes para que se comprometam seriamente com a causa.

“É profundamente perturbador que os passos iniciais das conversas tenham sido afetados pela contínua falta de acesso humanitária e pelo repentino aumento de bombas aéreas e atividades militares na Síria”, disse.