Chefe da ONU condena bombardeio no Iêmen que deixou mais de 100 mortos durante um casamento

Desde 26 de março, quando o conflito começou no país, 2.355 pessoas morreram por causa das hostilidades e 4.862 ficaram feridas, segundo o relatório de monitoramento do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Crianças da província de Taizz, onde foi realizada a festa de casamento. Foto: Wikicommons/Mathieu Génon (cc)

Crianças da província de Taizz, onde foi realizada a festa de casamento. Foto: Wikicommons/Mathieu Génon (cc)

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou nesta segunda-feira (28) os bombardeios aéreos a uma festa de casamento no vilarejo de Wahijah, na província de Taizz, no Iêmen, que deixaram mais de 130 mortos. Para o escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, este pode ser o incidente mais mortal desde o início das hostilidades em março.

“O secretário-geral expressa suas mais profundas condolências e pêsames para as famílias das vítimas e espera uma recuperação breve para os feridos”, disse o porta-voz da ONU, adicionando que ataques a civis são considerados sérias violações do direito humanitário e devem ser investigados para garantir responsabilização de maneira imparcial o mais rápido possível.

Desde 26 de março, 2.355 pessoas morreram por causa das hostilidades e 4.862 ficaram feridas, segundo o relatório de monitoramento do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos divulgado nesta terça-feira (29). Dois terços dessas fatalidades são atribuídas aos bombardeios da coalizão liderada pela Arábia Saudita, responsável também por 75% da destruição de edifícios públicos civis e o bloqueio dos portos, impedindo que a ajuda humanitária chegue às 21 milhões de pessoas que dependem desses suprimentos para sobreviver.

O secretário-geral reafirmou sua convicção de que não há saída militar para o conflito no Iêmen e sua “continuação só trará mais sofrimento humano e destruição”, disse, instando as partes envolvidas a “imediatamente cessar todas as atividades militares e resolver suas diferenças através de negociações facilitadas pelo seu enviado especial”.