Chefe da ONU condena assassinato de autoridades etíopes em tentativa de golpe

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou os assassinatos do chefe do Estado-Maior do Exército da Etiópia, Seare Mekonnen, e do governador da região de Amhara, Ambachew Mekonnen. Ambas as vítimas eram aliados do primeiro-ministro Abiy Ahmed. Homicídios aconteceram na semana passada, em meio ao que as autoridades do país africano descreveram como uma tentativa fracassada de golpe regional.

Etíopes vivendo como deslocados internos na região de Kercha, na Etiópia. Foto: UNOCHA/Tinago Chikoto

Etíopes vivendo como deslocados internos na região de Kercha, na Etiópia. Foto: UNOCHA/Tinago Chikoto

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou os assassinatos do chefe do Estado-Maior do Exército da Etiópia, Seare Mekonnen, e do governador da região de Amhara, Ambachew Mekonnen. Ambas as vítimas eram aliados do primeiro-ministro Abiy Ahmed. Homicídios aconteceram na semana passada, em meio ao que as autoridades do país africano descreveram como uma tentativa fracassada de golpe regional.

Guterres disse estar “profundamente preocupado com os incidentes mortais”, ocorridos na noite de 22 de junho.

O governador de Amhara foi morto com um assessor na capital da região, Bahir Dar. Também na cidade, foi assassinado o procurador-geral, em meio a uma manobra de milícias para tomar o controle das instituições. Na mesma noite, em Adis Abeba, capital da Etiópia, Seare Mekonnen e um general foram baleados e morreram.

De acordo com informações da imprensa, na sequência dos homicídios, o governo prendeu mais de 260 indivíduos suspeitos de associação com as investidas contra as autoridades. O primeiro-ministro do país falou à nação em discurso televisionado, pedindo para todos os etíopes se unirem perante a “perversa” tentativa de golpe em Amhara — a região tem sido um foco de violência entre etnias.

Guterres solicitou que “todas as partes importantes da Etiópia demonstrem comedimento, previnam a violência e evitem quaisquer ações que possam prejudicar a paz e a estabilidade da Etiópia”.

Desde que assumiu, em abril do ano passado, o primeiro-ministro etíope realizou mudanças rápidas nas políticas do país africano, transformando relações com a vizinha Eritreia e fazendo uma série de reformas internas.

Guterres elogiou o compromisso de Abiy Ahmed e do governo da Etiópia para garantir que os autores dos assassinatos sejam levados à justiça. O secretário-geral também reiterou o compromisso das Nações Unidas em apoiar os esforços do governo.

Em torno de 3 milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Etiópia por conta de disputas étnicas de longa data, normalmente envolvendo posse e direitos de terras.


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