Chefe da ONU cobra financiamento eficiente do setor privado à agenda pós-2015

Comunidade internacional necessita de um marco financeiro para enfrentar as múltiplas crises e garantir a implementação da agenda do desenvolvimento sustentável.

A comunidade internacional necessita de um marco financeiro capaz de confrontar a multifacetada crise atual de uma forma previsível e efetiva para poder adotar a agenda de desenvolvimento sustentável pós-2015, declarou o secretário-geral da ONU na abertura da audiência interativa informal da Assembleia Geral das Nações Unidas para a Terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, nesta quarta-feira (8).

“Todas as fontes de financiamento devem ser aproveitadas – públicas, privadas, nacionais e internacionais”, disse o chefe da ONU, Ban Ki-moon. “O mundo precisa de um marco financeiro internacional que seja previsível e efetivo para encarar os desafios e alcançar o desenvolvimento sustentável e inclusivo.”

Entretanto, ele notou que muitos obstáculos para facilitar o financiamento permanecem. Em muitos países, tentativas de levantar recursos públicos através de tributação continuam a ser dificultadas por brechas e evasão fiscal, enquanto o fluxo do capital internacional sofre de volatilidade.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Sam Kutesa, pediu um compromisso firme do setor privado com os futuros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), atribuindo recursos, especialização e engenho a esta causa. “Mobilizar recursos financeiros para infraestrutura crítica como energia, transporte, água e saneamento é fundamental para uma transformação estrutural, o crescimento econômico e inclusão social e sustentabilidade do meio ambiente”, adicionou.

Esse ano marca o fim dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU, que os líderes acordaram há 15 anos. Grandes progressos foram alcançados para atingir as metas traçadas. A pobreza global, por exemplo, diminuiu para metade bem antes de 2015; nos países em desenvolvimento, 90% das crianças agora contam com escolas primárias; caiu em 50% o número de pessoas com acesso à água potável; além disso, a luta contra a malária e a tuberculose tem tido resultados, de acordo com ONU.

Porém, os desafios persistem. Com a data-limite para os ODM no final deste ano, a ONU vai criar um novo conjunto de metas conhecidas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em todo o mundo, 73 milhões de jovens estão procurando emprego e muitos outros estão em trabalhos exploratórios. Nos últimos, mais de 2,5 milhões de crianças em países emergentes entraram na pobreza, totalizando mais de 76 milhões.