Chave para aproveitar bônus demográfico é garantir direito dos jovens, diz UNFPA

A chave para aproveitar o bônus demográfico — ou o impulso ao crescimento econômico que pode ocorrer quando os países têm uma grande população em idade ativa — é permitir que os jovens exerçam seus direitos humanos e tenham a oportunidade de alcançar seu potencial.

A afirmação foi feita pela diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem, durante cúpula sobre Cooperação Sul-Sul ocorrida em Buenos Aires, na Argentina, na semana passada.

“Para colher o bônus demográfico, os governos precisam capacitar, educar e empregar seus jovens para contribuir significativamente não apenas para seu bem-estar econômico, mas também para suas famílias, comunidades e países”, disse Natalia Kanem.

“Isso significa investir em saúde e educação para os jovens, para que possam ter acesso a oportunidades de emprego. Significa garantir que os adolescentes estejam protegidos contra práticas nocivas e casamentos precoces, que põe em risco sua saúde, educação e sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento nacional”, completou.

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A chave para aproveitar o bônus demográfico — ou o impulso ao crescimento econômico que pode ocorrer quando os países têm uma grande população em idade ativa — é permitir que os jovens exerçam seus direitos humanos e tenham a oportunidade de alcançar seu potencial.

A afirmação foi feita pela diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem, durante cúpula sobre Cooperação Sul-Sul ocorrida em Buenos Aires, na Argentina, na semana passada.

O painel intitulado “Cooperação Sul-Sul para capacitar a nova geração – Aproveitando o bônus demográfico” teve como objetivo celebrar o 25º aniversário da adoção do Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD)) e discutir questões econômicas, políticas, ambientais, sociais e técnicas.

O painel foi realizado no âmbito da 2ª Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Cooperação Sul-Sul, que ocorreu entre os dias 21 e 22 de março e contou com a participação de cerca de 1.500 pessoas de 193 Estados-membros da ONU. A conferência marca os 40 anos da adoção do “Plano de Ação de Buenos Aires” (PABA +40), que estruturou os princípios sobre os quais a cooperação entre países em desenvolvimento tem se desenvolvido ao longo das últimas décadas.

Durante o painel do UNFPA, Natalia Kanem enfatizou que aproveitar o bônus demográfico não é uma tarefa automática. “Para colher o bônus demográfico, os governos precisam capacitar, educar e empregar seus jovens para contribuir significativamente não apenas para seu bem-estar econômico, mas também para suas famílias, comunidades e países”.

“Isso significa investir em saúde e educação para os jovens, para que possam ter acesso a oportunidades de emprego. Significa garantir que os adolescentes estejam protegidos contra práticas nocivas e casamentos precoces, que põe em risco sua saúde, educação e sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento nacional”, completou.

Os países em desenvolvimento com uma numerosa população de jovens podem ter um grande impulso em suas economias se realizarem investimentos na juventude, com ênfase em educação, saúde e proteção dos direitos dessa população.

Esses ganhos econômicos potenciais são possíveis devido à transição demográfica, que é o processo combinado de redução da fecundidade (as famílias têm menos filhos) e da mortalidade em uma população – quando as pessoas passam a viver mais.

Isso aumenta a proporção de pessoas em idade de trabalhar (entre 15 e 64 anos) em relação à população dependente (de crianças até 14 anos e idosos com mais de 65 anos), gerando o chamado “bônus demográfico”, que é uma situação benéfica oferecida pela estrutura etária – uma maior população em idade ativa – que, se for bem aproveitada, pode gerar um ganho econômico e um maior desenvolvimento para o país.

Em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a equipe do Fundo UNFPA no Brasil participou do evento a fim de promover um intercâmbio de conhecimento e formar potenciais alianças no âmbito da Cooperação Sul-Sul.

A delegação brasileira foi integrada por representantes da ABC, Ministério das Relações Exteriores, Presidência da República, Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade de São Paulo (USP), Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (CGEE/MCTIC).

Projetos de Cooperação Sul-Sul

O Brasil foi o primeiro país a incluir a Cooperação Sul-Sul como parte do programa nacional do UNFPA acordado com o governo federal. Desde 2002, o UNFPA Brasil desenvolve iniciativas e tal cooperação está baseada nas capacidades de indivíduos e instituições brasileiras, visando maximizar a troca de boas práticas para atender as necessidades de países parceiros.

Um dos projetos realizados pelo UNFPA Brasil no âmbito da Cooperação Sul-Sul é o “Centros de Referência em Censos com Coleta Eletrônica de Dados”, que é uma plataforma desenvolvida para o intercâmbio de experiências e para a construção conjunta de abordagens inovadoras que permitam o reforço dos Centros de Estatística em África nos futuros censos.

O objetivo desta ação tem sido capacitar os Institutos de Estatística de Cabo Verde e Senegal, por meio da troca de experiências e conhecimento com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a ABC e o UNFPA, que atuam como pólos multiplicadores no uso de tecnologias eletrônicas de coleta de dados para censos e pesquisas em outros países africanos.

Parceria Brasil e África

Outra ação realizada pelo UNFPA com base no modelo de Cooperação Sul-Sul foi o Projeto Brasil-África, realizado ao longo do biênio 2015-2017, que teve como principal foco o combate à violência contra as mulheres, além do acolhimento às vítimas e a sensibilização sobre a garantia dos direitos humanos.

Adotado em 2015, o Projeto Brasil-África foi liderado pelos governos do Brasil, por meio da ABC, e de Moçambique, apoiado diretamente por UNFPA, ONU Mulheres Brasil e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A iniciativa também contou com o apoio financeiro do governo britânico, por meio do Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID, na sigla em inglês). O projeto contribuiu para o fortalecimento das capacidades institucionais das autoridades de Moçambique nas respostas intersetoriais e integradas no enfrentamento à violência de gênero.

Para saber mais sobre o Projeto Brasil-África, assista a seguir um vídeo realizado em parceria entre o UNFPA e a ONU Mulheres:


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