Chade: Dois milhões de pessoas enfrentam fome no cinturão do Sahel, alerta agência da ONU

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a situação piorou em relação ao ano passado. Entre os fatores estão a irregularidade das chuvas e a instabilidade no país vizinho. Além de uma produção menor de alimentos, a violência e insegurança provocadas pelo Boko Haram dificultaram o comércio.

PMA e parceiros alcançaram milhares de pessoas recentemente deslocadas pelo Boko Haram no Chade e em Camarões com alimentos e suporte nutricional, essenciais para salvar as vidas de muitos. Foto: PMA África Ocidental

PMA e parceiros alcançaram milhares de pessoas recentemente deslocadas pelo Boko Haram no Chade e em Camarões com alimentos e suporte nutricional, essenciais para salvar as vidas de muitos. Foto: PMA África Ocidental

A agência de ajuda alimentar das Nações Unidas afirmou, no final de maio (31), que cerca de 2 milhões de pessoas, ou metade da população do Chade que vive na região do Sahel, enfrentam a fome, sendo que mais de um quarto delas necessitam de ajuda externa para atender suas necessidades diárias mínimas de alimentação.

De acordo com uma avaliação de emergência sobre a segurança alimentar, realizada pelo governo do Chade, pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) e por outros parceiros – abrangendo as oito regiões do cinturão do Sahel –, a situação de insegurança alimentar e desnutrição piorou em relação ao ano passado.

“Para as famílias vulneráveis em todo o cinturão do Sahel, a época de escassez este ano será extremamente difícil”, disse a diretora do PMA no Chade, Mary-Ellen McGroarty.

Durante o ano passado, as taxas de insegurança alimentar aumentaram constantemente passando de 46% para 58%, na região de Kanem, e de 40% para 49%, na região de Bahr el Ghazel. Os índices de desnutrição também pioraram desde novembro de 2015 em seis regiões.

Entre os fatores que contribuíram para o agravamento da situação de segurança alimentar e nutrição estão as chuvas irregulares que caíram durante a estação de crescimento, o que levou a uma produção alimentar 11% menor em relação ao ano anterior.

Outro fator foi a insegurança e a violência causadas pelos insurgentes do Boko Haram, na vizinha Nigéria, que atravessam a fronteira e levaram à interrupção do comércio em várias ocasiões, além da queda no preço do gado devido a perturbações no comércio fronteiriço. Esta situação tem impactado negativamente nas comunidades pastoris.

A agência da ONU afirmou que durante toda a temporada “magra”, que vai de junho a setembro, será fornecida assistência alimentar. Esta medida será acompanhada por um apoio nutricional especializado para crianças, mulheres grávidas e lactantes que sofrem de desnutrição.

A assistência será seguida por projetos de sistemas de captação de água e de gestão, que estão sendo postos em prática destinados a atenuar o impacto a longo prazo.

A avaliação foi realizada com 4.821 famílias, abrangendo 10.226 crianças menores de cinco anos, durante os meses de março e abril.


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