Cerco de Israel a territórios palestinos compromete condições de vida da população, afirma relatório da OIT

A situação econômica no território palestino ocupado teve alguma melhora, mas continua a ser precária, particularmente na Faixa de Gaza. Segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o bloqueio israelense a esta região compromete as perspectivas de emprego e crescimento.

Organização Internacional do Trabalho (OIT)A situação econômica no território palestino ocupado teve alguma melhora, mas continua a ser precária, particularmente na Faixa de Gaza. Segundo um novo relatório das Nações Unidas, o bloqueio israelense a esta região compromete as perspectivas de emprego e crescimento.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em sua publicação anual sobre a situação dos trabalhadores em territórios árabes ocupados, atribui a melhora a uma taxa de crescimento acelerado e uma taxa ligeiramente mais elevada de emprego – cerca de 15% tanto em Gaza como na Cisjordânia.

A agência acrescenta, no entanto, que a maior taxa de emprego ainda é muito baixa pelos padrões internacionais. Além disso, a taxa de desemprego de quase 40% em Gaza está entre as mais altas do mundo.

Adicionalmente, o bloqueio de três anos, que Israel impôs em Gaza depois que o Hamas expulsou o Fatah e assumiu o controle da área em 2007, levou a um crescimento econômico desigual entre essa área e a Cisjordânia.

“Quanto mais o cerco avança, mais são enfraquecidas as perspectivas de futuro dos trabalhadores e suas famílias, em particular das novas gerações”, afirma o relatório, que foi preparado para a Conferência Internacional do Trabalho da OIT, iniciada no dia 02 de junho em Genebra.

O relatório destaca a questão crucial do acesso na situação econômica do território palestino ocupado. “Restrições no acesso e circulação na Cisjordânia – incluindo Jerusalém Oriental, as barreiras e outros obstáculos físicos –, juntamente com um sistema de autorização cada vez mais sofisticado, continuam a prejudicar fortemente a atividade econômica, o tecido social palestino, as empresas e o bem-estar dos trabalhadores”.

“A OIT tem sustentado consistentemente que as melhorias no acesso e movimento tem um impacto positivo no desenvolvimento econômico e do emprego no território palestino ocupado”, escreveu o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, no prefácio do relatório. 

“Uma solução duradoura para o conflito reside na construção de um Estado palestino independente, democrático e viável, vivendo em paz e segurança com todos os seus vizinhos”, acrescenta.

O relatório também observa que Jerusalém Oriental é cada vez mais isolada do resto da Cisjordânia, devido a uma política de redução do número de palestinos que vivem e trabalham lá. Neste contexto, o relatório demonstra profunda preocupação com o recente anúncio de que Israel continuará com a expansão dos assentamentos em Jerusalém Oriental.

Ao mesmo tempo, os obstáculos à circulação e ao acesso constituem as barreiras mais importantes para o desenvolvimento econômico e a criação de um tecido social regular nas colinas de Golan da Síria, ocupadas por Israel, de acordo com o relatório.

Somavia também aponta que “a triste situação econômica, social e humanitária nos territórios árabes ocupados cria um ambiente no qual os direitos dos trabalhadores e a dignidade humana continuam a ser violados diariamente”.

Em resposta às demandas críticas, a OIT tem expandido seu programa de cooperação técnica no território ocupado da Palestina, dando especial atenção ao apoio dos parceiros sociais e promovendo o diálogo entre a Autoridade Palestina, organizações de trabalhadores e organizações patronais.

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