Cerca de 45 mil pessoas deixaram a Gâmbia em meio à incerteza política no país

Cerca de 45 mil pessoas saíram da Gâmbia rumo ao Senegal nos últimos dias em meio à contínua incerteza política e a entrada de tropas senegalesas e da África Ocidental no país na quinta-feira (19).

O clima político ficou tenso depois que o presidente Yahya Jammeh, há 22 anos no poder, anunciou no fim do ano passado que não aceitaria os resultados eleitorais de dezembro que deram vitória a Adama Barrow.

Manifestações de 2014 em Gâmbia. Violações dos direitos humanos no país já preocupavam as Nações Unidas nessa época. Foto: UNFPA Gâmbia

Manifestações de 2014 na Gâmbia. Violações aos direitos humanos são preocupação no país. Foto: UNFPA Gâmbia

Cerca de 45 mil pessoas saíram da Gâmbia rumo ao Senegal nos últimos dias em meio à contínua incerteza política e a entrada de tropas senegalesas e da África Ocidental no país na quinta-feira (19).

Pessoas deslocadas estão chegando às regiões senegaleses de Fatick, Kaolack e Kaffrine, ao norte da Gâmbia, bem como às regiões de Ziguinchor, Sedhiou e Kolda, na fronteira sul-gambiana com o Senegal. Os próximos dias serão críticos e mais pessoas poderão deixar o país se a situação atual não for resolvida rápida e pacificamente.

O clima político do país ficou tenso depois que o presidente Yahya Jammeh, há 22 anos no poder, anunciou no fim do ano passado que não aceitaria os resultados eleitorais de dezembro que deram vitória a Adama Barrow. Barrow tomou posse na quinta-feira (19) na embaixada da Gâmbia no Senegal, já que Jammeh se recusa a deixar o cargo.

Mais de 75% dos que chegam ao Senegal são crianças, acompanhadas principalmente por mulheres. Elas estão hospedadas em hotéis ou em casas de família. Algumas estão hospedando de 40 a 50 pessoas e logo precisarão de apoio, pois podem rapidamente ficar sem recursos.

As autoridades do Senegal desenvolveram planos para distribuir alimentos e artigos de socorro para até 100 mil pessoas. Os alimentos incluirão arroz, óleo e açúcar, enquanto colchões, tapetes, cobertores, lençóis e sabonetes estarão entre os itens não alimentares. Quarenta toneladas de comida chegaram à região de Ziguinchor na quinta-feira e a distribuição para os recém-chegados e famílias anfitriãs deve começar nos próximos dias.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), juntamente a outros atores humanitários, está pronta para ajudar as autoridades e dar orientações sobre assistência às populações deslocadas. O ACNUR também está disposto a contribuir para estabelecer um sistema de registro, assim como capacitar equipes de fronteira em relação aos direitos dos refugiados e aos princípios de proteção.

A agência mobilizou equipes de avaliação situacional para as principais zonas fronteiriças do Senegal com a Gâmbia e seus funcionários estão trabalhando em colaboração com as autoridades locais para avaliar as necessidades das pessoas que chegaram ao Senegal.

Em Dakar, o ACNUR está constantemente em contato com o Ministério do Interior — encarregado de coordenar a resposta humanitária. A preparação para contingências irá continuar, em colaboração com outras agências das Nações Unidas, ONGs internacionais e nacionais, bem como com parceiros de implementação e governamentais.

A Gâmbia, por sua vez, abriga cerca de 8 mil refugiados, principalmente senegaleses, que permanecem preocupados com os acontecimentos políticos no país.