Cerca de 300 mil crianças venezuelanas precisam de assistência humanitária na Colômbia

Sem mais apoio, a saúde, a educação e o bem-estar de ao menos 327 mil crianças venezuelanas que vivem como migrantes e refugiadas na Colômbia estarão em risco, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A situação econômica e política na Venezuela fez com que cerca de 3,7 milhões de venezuelanos deixassem suas casas e viajassem para o Brasil, Colômbia, Equador, Peru e outros países da região.

Cerca de 1,2 milhão destes venezuelanos estão na Colômbia, muitos deles vivendo em comunidades vulneráveis e que já estão com recursos sobrecarregados, segundo o UNICEF.

Em Cúcuta, na Colômbia, todos os dias por volta das 5 da manhã, centenas de crianças cruzam a fronteira com a Venezuela para pegar ônibus que levam para escolas em Cúcuta. Foto: UNICEF/Santiago Arcos

Em Cúcuta, na Colômbia, todos os dias por volta das 5 da manhã, centenas de crianças cruzam a fronteira com a Venezuela para pegar ônibus que levam para escolas em Cúcuta. Foto: UNICEF/Santiago Arcos

Sem mais apoio, a saúde, a educação e o bem-estar de ao menos 327 mil crianças venezuelanas que vivem como migrantes e refugiadas na Colômbia estarão em risco, alertou no final de abril (29) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A situação econômica e política na Venezuela fez com que cerca de 3,7 milhões de venezuelanos deixassem suas casas e viajassem para o Brasil, Colômbia, Equador, Peru e outros países da região.

Cerca de 1,2 milhão destes venezuelanos estão na Colômbia, muitos deles vivendo em comunidades vulneráveis e que já estão com recursos sobrecarregados, segundo o UNICEF.

“Em um momento em que o sentimento anti-imigrantes está crescendo em todo mundo, a Colômbia manteve generosamente suas portas abertas para seus vizinhos da Venezuela”, afirmou Paloma Escudero, diretora de Comunicação do UNICEF, após visita a Cúcuta, no lado colombiano da fronteira com a Venezuela.

“Conforme mais famílias tomam a dolorosa decisão de deixar suas casas na Venezuela todos os dias, é hora de a comunidade internacional aumentar sue apoio e ajudar a cumprir suas necessidades básicas”, afirmou Escudero.

Na ponte Simón Bolívar, entre a Colômbia e a Venezuela, Escudero conversou com famílias que fazem o trajeto diariamente para buscar assistência médica, levar seus filhos para escola e conseguir comida e outros itens essenciais para suas casas.

“Conheci uma mãe que tem epilepsia e está grávida de oito meses. Ela precisou ir à Colômbia para exames pré-natais e para proteger sua saúde e a saúde do bebê”, disse. “Para a maioria das famílias, a decisão de ir embora é apenas uma medida de último caso.”

A Colômbia também fornece educação gratuita para crianças migrantes da Venezuela.

Segundo o UNICEF, mais de 130 mil crianças venezuelanas estão matriculadas em escolas na Colômbia atualmente, em relação às 30 mil em novembro do ano passado. Quase 10 mil destes alunos estão na cidade fronteiriça de Cúcuta e quase 3 mil deles viajam diariamente da Venezuela para a Colômbia para irem à escola.

Diretora de Comunicação do UNICEF, Paloma Escudero, conversa com uma mãe em centro de saúde apoiado pela agência das Nações Unidas em Cúcuta, na Colômbia. Foto: UNICEF/Santiago Arcos

Diretora de Comunicação do UNICEF, Paloma Escudero, conversa com uma mãe em centro de saúde apoiado pela agência das Nações Unidas em Cúcuta, na Colômbia. Foto: UNICEF/Santiago Arcos

“Vi centenas de estudantes cruzarem para Cúcuta ao amanhecer, na chuva, para irem à escola. Tal dedicação ao conhecimento por parte de pais e alunos é uma lição de comprometimento, perseverança e determinação para todos nós”, afirmou Escudero.

O UNICEF trabalha de perto com outras agências humanitárias, autoridades nacionais e locais, organizações não governamentais e comunidades na Colômbia para fornecer assistência de saúde, nutrição, educação e proteção às crianças migrantes, assim como crianças de comunidades de acolhimento.

A agência busca aumentar seu atual orçamento de resposta de 5,7 milhões de dólares para 29 milhões de dólares no próximo ano para, entre outras coisas: ajudar a vacinar mais de 30 mil crianças; fornecer serviços de água, saneamento e higiene em escolas para 13 mil crianças; e fornecer oportunidades formais e informais de aprendizagem para 40 mil crianças.

Além disso, o UNICEF também dará micronutrientes para 15 mil mães que amamentam; e alcançará 90 mil crianças e adolescentes com ações para prevenir e responder violências, abusos e explorações, incluindo violência com base em gênero e prevenção de recrutamento infantil.