CEPAL vê alta do investimento chinês na América Latina e no Caribe em 2017

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Em 2017, o estoque de investimentos diretos chineses nos países latino-americanos e caribenhos alcançou cerca de 115 bilhões de dólares, avanço de 46% frente ao ano anterior, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Entre 2005 e 2017, o investimento estrangeiro direto proveniente da China mostrou forte concentração, tanto em termos de setores (com mineração e hidrocarbonetos representando cerca de 80%), como de países de destino (Brasil, Peru e Argentina receberam 81% do total).

Investimentos chineses na América Latina e no Caribe estão concentrados nos setores de mineração e hidrocarbonetos. Foto: Flickr/Cassandra Sarmanho (CC)

Investimentos chineses na América Latina e no Caribe estão concentrados nos setores de mineração e hidrocarbonetos. Foto: Flickr/Cassandra Sarmanho (CC)

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) reafirmou em meados de janeiro (22) seu compromisso permanente com o fortalecimento dos vínculos entre a região e a China, durante a Segunda Reunião de Ministros de Relações Exteriores da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a China, realizada em Santiago, no Chile.

Durante a reunião, da qual participaram representantes de 31 países da região mais a China, Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, destacou o firme compromisso do país asiático com a busca de um crescimento econômico centrado na prosperidade compartilhada, no combate à pobreza e à desigualdade, na proteção do meio ambiente e nos princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Diante das autoridades, a alta funcionária das Nações Unidas apresentou o documento “Explorando novos espaços de cooperação entre América Latina, Caribe e China“, no qual a CEPAL analisa a trajetória conjunta desde a primeira reunião do Fórum CELAC-China, celebrada em 2015 em Pequim, e a evolução das relações comerciais, financeiras e de investimento. O relatório também aborda de maneira comparativa as políticas macroeconômicas, ambientais, de infraestrutura, de ciência e tecnologia e de desenvolvimento social.

A máxima representante da CEPAL lembrou que durante a primeira reunião do Fórum CELAC-China foi adotado o Plano de Cooperação 2015-2019, no qual se fixou a meta de alcançar uma troca comercial de 500 bilhões de dólares até 2025.

“Segundo nossas estimativas, o comércio entre a região e a China se multiplicou 22 vezes entre 2000 e 2013 e, em 2017, alcançou 266 bilhões de dólares. Isso significa um avanço de 53% em relação à meta”, disse Bárcena.

Ela lembrou que a segunda meta para 2025 é atingir um estoque de investimento estrangeiro direto entre as duas partes de 250 bilhões de dólares, e afirmou que, em 2017, o estoque de investimentos diretos chineses na região alcançou cerca de 115 bilhões de dólares, o que representa um avanço de 46%.

A secretária-executiva da CEPAL declarou que, no âmbito financeiro, a China forneceu crédito de 141 bilhões de dólares na última década para os países da região, superando o fornecido por instituições como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial.

No entanto, no âmbito do comércio, a diversificação da cesta exportadora para a China continua sendo uma matéria pendente para a região, advertiu Bárcena. “Exportamos apenas cinco produtos básicos em 2017 — grãos de soja, minério de ferro, cobre, cobre refinado e petróleo —, representando 70% do valor total dos envios”, disse.

Ela lembrou que o investimento estrangeiro direto proveniente da China também mostra um forte grau de concentração, tanto em termos de setores (com mineração e hidrocarbonetos representando cerca de 80%), como de países de destino (Brasil, Peru e Argentina receberam 81% do total entre 2005 e 2017). Isso reforça o padrão de trocas de matérias-primas por produtos industrializados que caracterizou o comércio entre a região e a China.

“A boa notícia é que o investimento estrangeiro direto chinês para a região aumentou em 2017, superando os 25 bilhões de dólares, e começou a se diversificar para novos setores como alimentos, telecomunicações e energias renováveis”, declarou.

A representante da CEPAL destacou a relevância da iniciativa chinesa de investimentos “One Belt, One Road” para a América Latina e o Caribe, porque ao dinamizar economias asiáticas e europeias, aumenta a demanda agregada e, por consequência, as exportações da região.

Ela lembrou que a iniciativa chinesa “oferece a oportunidade única de reduzir a grande distância territorial que nos separa, mediante uma melhor conectividade aérea, marítima e, especialmente, digital, para estreitar nossos vínculos comerciais, de investimento, turismo e cultura”.

Pediu que a região diversifique os fluxos de comércio e investimento estrangeiro com a China; aproveite as capacidades técnicas e financeiras do país asiático para reduzir seu sério déficit de infraestrutura; e coopere em temas sociais para eliminar a pobreza em todas as suas formas até 2030.


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