CEPAL revê para baixo previsão de crescimento das economias latino-americanas e caribenhas em 2018

Em um contexto internacional marcado pela incerteza e pela volatilidade, as economias da América Latina e do Caribe crescerão em média 1,5% em 2018, indicou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em novo relatório anual divulgado nesta quinta-feira (23).

Trata-se de uma redução de 0,7 ponto percentual frente à previsão feita em abril deste ano.

O organismo internacional também reduziu as projeções de crescimento para a economia brasileira. A atual projeção é de avanço de 1,6%, frente a 2,2% projetados em abril.

Em um contexto internacional marcado pela incerteza e pela volatilidade, as economias da América Latina e do Caribe crescerão em média 1,5% em 2018. Foto: EBC

Em um contexto internacional marcado pela incerteza e pela volatilidade, as economias da América Latina e do Caribe crescerão em média 1,5% em 2018. Foto: EBC

Em um contexto internacional marcado pela incerteza e pela volatilidade, as economias da América Latina e do Caribe crescerão em média 1,5% em 2018, graças a um aumento da demanda interna, especialmente do consumo privado, e um leve aumento do investimento, indicou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em novo relatório anual divulgado nesta quinta-feira (23).

Trata-se de uma redução de 0,7 ponto percentual frente à previsão feita em abril deste ano.

A revisão para baixo foram justificadas pela redução das expectativas de crescimento em importantes países da região, como Argentina, Brasil e Venezuela. Para o Brasil, a previsão é de avanço de 1,6% este ano, frente a 2,2% projetados em abril.

O “Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2018” foi divulgado em coletiva de imprensa na sede sub-regional na Cidade do México pela secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

Segundo o documento, o crescimento médio geral da região mantém uma tendência positiva, embora apresente sinais de desaceleração. Apesar da perda de dinamismo da atividade econômica regional durante os primeiros trimestres do ano, o crescimento em 2018 será superior ao 1,2% registrado em 2017.

Como em ocasiões anteriores, existe uma heterogeneidade entre os diferentes países e sub-regiões, já que se espera que a América do Sul cresça 1,2% em 2018, enquanto a América Central deve crescer 3,4% e o Caribe 1,7%.

Com relação aos países, República Dominicana e Panamá irão liderar o crescimento da região, com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,4% e 5,2%, respectivamente, seguidos pelo Paraguai (4,4%), Bolívia (4,3%), Antígua e Barbuda (4,2%), Chile e Honduras (ambos 3,9%).

O estudo acrescenta que esse crescimento regional ocorre em um cenário global complexo, caracterizado por conflitos comerciais entre Estados Unidos, China e outras nações; riscos geopolíticos crescentes; queda nos fluxos de capitais para os mercados emergentes nos últimos meses e aumento nos níveis de riscos soberanos; depreciações das moedas locais em relação ao dólar; e uma expansão econômica mundial que tende a perder dinamismo.

O relatório indica que a arrecadação de impostos da América Latina se mantém estável em 2018 em torno de 17,8% do PIB (em comparação com 17,9% apresentada em 2017), enquanto a inflação média se mantém dentro do esperado (6,5% até junho comparada com 5,3% em 2017, excluindo a Venezuela).

A taxa de desemprego urbano regional deve ficar estável em 9,2%, abaixo de 9,3% do ano passado, graças a uma maior geração de emprego assalariado (1,4% no primeiro trimestre de 2018, depois de registrar 0,3% em 2017).

No âmbito fiscal, as medidas direcionadas à consolidação fiscal na América Latina levaram a uma redução esperada do déficit primário, que passaria de um déficit médio de 0,8% do PIB em 2017 para 0,5% do PIB em 2018.

“Nossa região continua crescendo, embora a um ritmo menor do que foi projetado há alguns meses, apesar das turbulências internacionais. Isso é positivo mas requer de nós redobrar esforços para gerar uma reativação, sem cair em ajustes fiscais excessivos. Aqui a integração regional pode desempenhar um papel fundamental e para lá devemos nos direcionar”, ressaltou Alicia Bárcena.

Nessa edição, o relatório da CEPAL dedica a maior parte de seus capítulos a uma profunda análise da evolução do investimento na América Latina e no Caribe entre 1995 e 2017, com seus fatos estilizados, principais determinantes e desafios de política.

Assinala que a região aumentou seus níveis de investimento nas últimas duas décadas, reduzindo a diferença existente com outras regiões do mundo. Adverte, entretanto, que é necessário um esforço adicional para promover os encadeamentos produtivos desse investimento e assim sustentar o crescimento econômico.

O estudo indica que entre 1995 e 2017 a formação bruta de capital fixo (investimento fixo) aumentou de 18,5% para 20,2% como proporção do PIB da região, embora a partir de 2012 o dinamismo do investimento tenha desacelerado.

Esse comportamento reflete três ciclos econômicos nesse período: de 1995 até 2002, 2003 até 2008, e 2009 até 2017. Acrescenta que o setor da construção é o de maior participação no investimento no intervalo de tempo analisado, com 67,5% do investimento total.

No entanto, as máquinas e equipamentos aparecem como os componentes mais dinâmicos no período, já que o investimento nesse campo representou 4,7% do PIB em 1995-2003 para 8,1% em 2010-2016. “Isso é positivo para a região, já que permite incorporar maior conteúdo tecnológico e estabelecer as bases para melhorar a produtividade e manter o crescimento”, indica o relatório.

Entretanto, os níveis de investimento privado superaram em 2017 os do investimento público, com 80,3% comparado com 19,7% de participação, respectivamente. Por isso “é necessário ter um olhar estratégico do investimento público, enquanto esse desempenha um papel importante na promoção do investimento privado, gera um efeito de crowding-in (atração para o setor privado), assim como na provisão de bens públicos centrais para impulsionar o crescimento”, considerou Bárcena.

“A região realizou importantes esforços para aumentar o fluxo de investimento, mas temos o desafio de melhorar sua composição setorial para incentivar a produtividade das economias. Ainda há muito a fazer”, enfatizou a alta funcionária das Nações Unidas.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em espanhol).


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