CEPAL propõe criação de um mercado digital comum na América Latina e Caribe

Zona de livre circulação de bens e serviços de tecnologia da informação e da comunicação poderia facilitar negociação da América Latina e Caribe com servidores globais.

Mais da metade da população da América Latina e Caribe tem acesso à internet. Foto: UNESCO

Mais da metade da população da América Latina e Caribe tem acesso à internet. Foto: UNESCO

Em conferência na quinta-feira (13) sobre ciência, tecnologia e inovação, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) pediu a criação de um mercado digital único na região como forma de expandir a produção e o comércio de eletrônicos e facilitar negociações de seus Estados-membros com servidores globais.

Os dados mais recentes compilados pelor organismo indicam que, em 2014, 50,1% da população latino-americana e caribenha utilizava internet. As conexões por telefonia móvel já somam mais de 700 milhões. A região sob mandato da CEPAL é a líder no uso das redes sociais para atividades de trabalho e relacionamento.

De 2003 a 2014, a adoção da banda larga fixa pela população passou de 1% para 10% e a banda larga móvel chegou a 49% dos habitantes.

“Um bloco ou mercado digital comum poderia apoiar significativamente os esforços regionais de expansão da economia digital”, ressaltou o chefe da unidade de inovação e novas tecnologias da Divisão de Desenvolvimento Produtivo e Empresarial da CEPAL, Mario Castillo.

De acordo com o especialista, a cooperação comercial entre os países poderia promover a livre circulação de bens e serviços de tecnologia da informação e da comunicação (TIC), expandindo a venda de eletrônicos e estimulando a criação de redes de conectividade regionais.

Outros benefícios incluiriam o fortalecimento da defesa do consumidor online, além de facilitar negociações dos Estados-membros com plataformas globais. Segundo o representante da CEPAL, as regulações nacionais diversas criam obstáculos que dificultam o aproveitamento de tendências comuns entre os países da região.

Castillo também apontou que um mercado único favoreceria o desenvolvimento de aplicativos para processos produtivos — que se tornariam mais eficientes.

“A dimensão produtiva deve ser vista como eixo estratégico de uma integração regional aberta. Devemos articular cadeias produtivas regionais com o apoio de empresas transnacionais, especialmente as translatinas”, destacou.