CEPAL vê queda de 3,5% para economia brasileira em 2016

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) divulgou novo relatório que prevê contração de 3,5% da economia brasileira este ano, acima da queda de 2,1% prevista para a economia da América do Sul, que tem sido afetada por uma menor demanda por suas exportações e por uma desaceleração dos mercados domésticos.

O valor do comércio exterior do país ao exterior terá queda de cerca de 16. Foto:APPA

Economia brasileira deve registrar forte retração este ano. Foto: APPA

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) divulgou nesta terça-feira (26) novo relatório que prevê contração de 3,5% da economia brasileira este ano, acima da queda de 2,1% prevista para a economia da América do Sul, que tem sido afetada por uma menor demanda por suas exportações e por uma desaceleração dos mercados domésticos.

Para a América Latina e Caribe toda, a projeção é de retração de 0,8%. Segundo a organização, outros cinco países terão queda do Produto Interno Bruto (PIB) este ano além do Brasil: Venezuela (-8%), Suriname (-4%), Trinidad e Tobago (-2,5%), Equador (-2,5%) e Argentina (-1,5%). Por outro lado, os países que irão liderar o crescimento regional são República Dominicana (6,0%), Panamá (5,9%), Nicarágua, Bolívia (4,5%), e Costa Rica (4,3%).

“Diante da contração econômica, a região necessita de uma mudança estrutural progressiva com um grande impulso ambiental que promova um desenvolvimento baseado na igualdade e na sustentabilidade”, disse a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

A queda do PIB da região da América Latina e do Caribe este ano será maior que a observada em 2015 (-0,5%), de acordo com o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2016, no qual a organização enfatizou a urgência de se promover o investimento — tanto público como privado — para estimular a recuperação econômica e cumprir a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

“A capacidade dos países para acelerar o crescimento econômico depende dos espaços para adotar políticas que apoiem o investimento. Estas políticas devem ser acompanhadas de esforços para mudar o diálogo entre o setor público e as empresas privadas. Aumentar a produtividade é também um desafio chave para avançar rumo a um caminho de crescimento dinâmico e estável”, declarou Bárcena a jornalistas em Santiago, Chile.

O relatório indicou ainda que no âmbito externo a economia mundial manterá baixas taxas de crescimento, que serão acompanhadas por uma lenta expansão do comércio, que não conseguiu recuperar os níveis registrados antes da crise financeira global.

Soma-se a esse cenário a deterioração nos preços de exportação dos produtos básicos da região e a maior incerteza e volatilidade financeira internacional, que aumentaram após a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia.

A previsão da CEPAL é de que a América Central crescerá 3,8%, graças ao impulso derivado de uma melhora em seus termos de troca, recuperação de sua demanda externa e interna e um aumento dos ingressos por remessas do exterior. Entretanto, o Caribe sofrerá uma retração de 0,3% em seu PIB.

Recomendações

Em seu estudo, a CEPAL enfatizou a necessidade de se retomar o crescimento e a mobilização dos fluxos financeiros para o financiamento do desenvolvimento.

Para isso, a organização afirmou ser necessário mudar as estruturas tributárias dos países para melhorar a arrecadação e a progressividade, fortalecer o imposto sobre a renda, tanto de pessoas como de empresas, e combater a evasão fiscal — que atingiu 6,7% do PIB regional em 2015, com um valor total estimado de 340 bilhões de dólares.

“Igualmente, é necessário renovar as parcerias público-privadas e promover coalizões políticas que criem incentivos adequados para direcionar o financiamento para os objetivos de desenvolvimento”, afirmou a organização.

“Deve-se, também, fomentar a inclusão financeira como uma política de inserção produtiva mediante a criação de mercados e novos instrumentos inovadores.”

Leia aqui o relatório completo da CEPAL.