CEPAL elogia programa brasileiro para melhorar produtividade da indústria

Em pesquisa sobre o Brasil+Produtivo, programa do governo federal para melhorar a produtividade de pequenas e médias empresas, a Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) elogiam a iniciativa por ter permitido a manutenção de uma agenda de política industrial num cenário de fortes restrições fiscais.

Indústria brasileira. Foto: EBC
Indústria brasileira. Foto: EBC

Em pesquisa que a avalia as conquistas e limitações do Brasil+Produtivo, programa do governo federal para melhorar a produtividade de pequenas e médias empresas, a Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) elogiam a iniciativa por ter permitido a manutenção de uma agenda de política industrial num cenário de fortes restrições fiscais. Projeto foi lançado em 2016 e concluiu sua primeira fase em julho de 2018, beneficiando 3 mil companhias.

Difundindo uma metodologia de manufatura enxuta, a fim de reduzir perdas e gargalos produtivos intrafirma, o programa — por meio de consultoria in loco às empresas — promoveu um ganho médio de produtividade de 52% entre os negócios participantes. O foco da iniciativa foram empresas dos setores de alimentos e bebidas, vestuário e calçados, moveleiro e metalomecânico.

A proposta do Brasil+Produtivo — também conhecido pela sigla B+P e coordenado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) — era diminuir sete tipos de desperdício: superprodução, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos. 

Segundo os dados coletados pela CEPAL e IPEA, houve queda de 60,6% no movimento do trabalho — o que inclui deslocamentos desnecessários associados aos processos produtivos —, com a priorização de atividades que agregam valor. Também foi identificada uma redução de quase 65% no volume de retrabalho, que diz respeito a atividades de descarte de materiais decorrentes de falhas no processo de fabricação.

“O B+P demonstrou ser um instrumento eficaz e com poder de ‘efeito-demonstração’, para que a agenda da política industrial seja vista como algo capaz de trazer resultados para o desenvolvimento, tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina”, elogiou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

Mas a comissão regional e o IPEA também alertam para problemas do programa. Um deles é o fato de que sua capacidade de impacto sistêmico é limitada, devido ao número pequeno de empresas atendidas, quando considerado o contexto nacional. O relatório aponta que o B+P, por si só, não pode alterar a curva de produtividade da indústria brasileira.

Outro desafio do Brasil+Produtivo é o alcance dos dados coletados, que não permitem avaliar se os ganhos de produtividade perduram no tempo.

Além disso, a meta do programa para alcançar um aumento médio de 20% na produtividade acabou criando um viés na hora de escolher as empresas atendidas. Com esse objetivo em mente, os consultores do B+P foram incentivados a buscar linhas (e companhias) em que os 20% seriam mais fáceis de se atingir.

Os organismos responsáveis pela pesquisa recomendam que, no futuro, sejam criadas outras metas e critérios de avaliação, a fim de ampliar o alcance do projeto. Uma alternativa é definir objetivos distintos para portes de empresa e setores, além de considerar o peso da linha no faturamento dos negócios.

A CEPAL e o IPEA defendem que seja mantida a preocupação em chegar a beneficiários de menor desenvolvimento relativo, buscando amenizar desigualdades na estrutura produtiva e regional brasileira.

“Em um momento em que grandes economias internacionais – tanto as desenvolvidas quanto as em desenvolvimento – fazem política industrial e promovem uma nova revolução na indústria global, os países da América Latina e do Caribe precisam reinventar e promover políticas industriais que sejam eficientes, eficazes e efetivas”, completou Bárcena.

Acesse a pesquisa da CEPAL e do IPEA clicando aqui.


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