CEPAL defende trabalho decente para promover igualdade social

Em seminário no Chile para celebrar os cem anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a chefe da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, alertou na quinta-feira (17) que 42% dos trabalhadores na região recebem pagamentos inferiores ao salários mínimos nacionais. Defasagem foi um dos desafios na promoção do trabalho decente elencados pela dirigente, que também chamou atenção para as desigualdades de gênero.

Chefe da CEPAL alertou que desigualdades de gênero afetam a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Foto: Agência Brasil

Chefe da CEPAL alertou que desigualdades de gênero afetam a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Foto: Agência Brasil

Em seminário no Chile para celebrar os cem anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a chefe da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, alertou na quinta-feira (17) que 42% dos trabalhadores na região recebem pagamentos inferiores ao salários mínimos nacionais. Defasagem foi um dos desafios na promoção do trabalho decente elencados pela dirigente, que também chamou atenção para as desigualdades de gênero.

De acordo com Bárcena, o dinheiro obtido com o trabalho representa 72% da renda dos domicílios em nível regional, o que faz do trabalho uma ferramenta essencial para erradicar a pobreza e a desigualdade.

Em evento que reuniu autoridades ministeriais e representantes da OIT em Santiago, incluindo o ex-diretor da Organização, Juan Somavía, a secretária-executiva da CEPAL afirmou que o trabalho decente é a chave-mestra para a igualdade, pois proporciona dignidade, emancipação, reconhecimento e agenciamento para as pessoas.

A dirigente da comissão apontou que a dinâmica do trabalho é a manifestação mais evidente da qualidade do desenvolvimento econômico e social.

Segundo Bárcena, em países latino-americanos e caribenhos, a taxa de ocupação das mulheres é 24,2% inferior a dos homens devido à alta carga de trabalho doméstico não remunerado, um obstáculo à participação feminina no mercado.

O trabalho decente também está no âmago da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, acrescentou Bárcena, além de ser associado a mudanças estruturais produtivas e à abordagem de lacunas estruturais.

“Vemos a redução das brechas como um motor de desenvolvimento”, disse a secretária-executiva, que explicou que é essencial alcançar taxas maiores de crescimento para recuperar o emprego formal, mas com vistas ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Devemos crescer segundo um novo paradigma, com base na competitividade autêntica (absorção de tecnologia e aumento da produtividade), na redução da heterogeneidade estrutural e na mudança da matriz energética, de produção e consumo, em uma direção sustentável (um grande impulso ambiental)”, ressaltou Bárcena.

Crise do multilateralismo

Ressaltando os desafios trazidos pela crise do multilateralismo e pelo avanço do protecionismo, Bárcena afirmou que a humanidade vive um “momento muito delicado”. “A desigualdade crescente que se instalou em nível mundial gerou esse medo, esse desencanto, essa sensação de que a globalização se tornou um sinônimo de privilégios e de que há uma falta de transparência, uma ameaça ao emprego e aos salários e (uma sensação) de que a governança internacional é incompatível com democracias estáveis”, afirmou.

A chefe da CEPAL disse ainda que a comunidade internacional deve avançar rumo a um multilateralismo que reconheça a igualdade, a inclusão e a sustentabilidade como dimensões constitutivas fundamentais da sua dinâmica.

“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Agenda 2030 e o Acordo de Paris são consistentes com ela (essa dinâmica) e podem servir como referência na construção de um novo sistema multilateral para o desenvolvimento”, completou a dirigente.


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