CEPAL defende que multilateralismo é compatível com interesses nacionais das democracias

A chefe da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, defendeu na quarta-feira (24) que a cooperação internacional é compatível com o fortalecimento das democracias em nível nacional. Segundo a dirigente, o multilateralismo deve impulsionar a proteção dos direitos das minorias e dos grupos mais vulneráveis.

Foto: CEPAL

Sede da CEPAL em Santiago, no Chile. Foto: CEPAL

A chefe da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, defendeu na quarta-feira (24) que a cooperação internacional é compatível com o fortalecimento das democracias em nível nacional. Segundo a dirigente, o multilateralismo deve impulsionar a proteção dos direitos das minorias e dos grupos mais vulneráveis.

As declarações de Alicia foram feitas durante a abertura do Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizado nesta semana em Santiago, no Chile.

A chefe da CEPAL ressaltou que o encontro ocorre em meio a um crescente enfraquecimento da cooperação internacional, provocado por políticas defensivas em resposta aos impactos negativos da globalização. A essa conjuntura, disse a dirigente, soma-se uma erosão da confiança na democracia e em alguns de seus valores, fenômeno verificado tanto em países desenvolvidos quanto em nações em desenvolvimento.

Alicia defendeu as parcerias e o entendimento internacionais entre os países, com a promoção do comércio e da integração e o fortalecimento do diálogo.

“Está comprovado que o multilateralismo no âmbito internacional é compatível com o fortalecimento da democracia no âmbito nacional quando os acordos multilaterais cumprem determinadas condições, ou seja, quando favorecem os interesses difusos de muitos (cidadãos) sobre os interesses concentrados dos grupos mais poderosos, protegem os direitos das minorias e setores mais vulneráveis e fortalecem as capacidades deliberativas dos governos, do setor privado e da sociedade civil, estimulando um debate que combina transparência, diversidade de pontos de vista e capacidade analítica, entre outros”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL na abertura do fórum.

A dirigente disse ainda que o fórum latino-americano e caribenho dá forma concreta ao multilateralismo, permitindo o compartilhamento de boas práticas para que países alcancem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS).

A representante da CEPAL explicou que, atualmente, 29 das nações da região possuem mecanismos institucionais de coordenação para liderar ações em prol da Agenda 2030 da ONU. A criação desses órgãos foi acompanhada pela preparação de relatórios nacionais voluntários, que avaliam avanços no cumprimento dos ODS.

“Considerando os 22 relatórios nacionais voluntários já apresentados e o interesse manifestado por dez países em apresentar relatórios para o biênio 2019-2020, pode-se afirmar que, cinco anos após a aprovação da Agenda 2030, a região contará com 32 relatórios elaborados por 24 países. Além disso, como no mundo apenas 17 países terão apresentado pelo menos dois relatórios entre 2016 e 2020, o fato de que sete deles sejam da América Latina e do Caribe mostra o compromisso da região com a Agenda”, elogiou Alicia.

Também presente na abertura do fórum, o ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, Rodrigo Malmierca, afirmou que, apesar dos esforços, a América Latina e o Caribe continuam sendo a região mais desigual do mundo. Ao mesmo tempo, acrescentou o chefe da pasta, “a região e especialmente os irmãos caribenhos estão expostos aos impactos negativos da mudança climática”.

“Essa situação, somada à crescente incerteza dos aspectos econômicos no âmbito mundial, tornam cada vez mais necessário o multilateralismo e um enfoque que coloque os cidadãos no centro do desenvolvimento, considerando as particularidades de nossa região”, frisou Malmierca.

Durante o primeiro dia da reunião, Alicia Bárcena apresentou o Relatório de Avanço quadrienal sobre o Progresso e os Desafios Regionais da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável na América Latina e no Caribe. A publicação detalha o progresso dos países no cumprimento dos ODS, além de apresentar recomendações para enfrentar desafios ainda pendentes. Acesse o documento clicando aqui.