CEPAL defende espaço econômico compartilhado entre México e países do norte da América Central

A chefe da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, defendeu neste mês (18) a criação de um espaço econômico compartilhado entre os países do norte da América Central — El Salvador, Guatemala, Honduras — e o México.

Segundo a dirigente, a medida poderia mitigar as causas estruturais da migração na região, que incluem o crescimento econômico insuficiente e as elevadas desigualdades.

Migrantes almoçam em abrigo na Guatemala, depois de serem deportados do México. Foto: UNICEF/Daniele Volpe

Migrantes almoçam em abrigo na Guatemala, depois de serem deportados do México. Foto: UNICEF/Daniele Volpe

A chefe da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, defendeu neste mês (18) a criação de um espaço econômico compartilhado entre os países do norte da América Central — El Salvador, Guatemala e Honduras — e o México. Segundo a dirigente, a medida poderia mitigar as causas estruturais da migração na região, que incluem o crescimento econômico insuficiente e as elevadas desigualdades.

Um espaço econômico compartilhado, na visão de Alicia, deve promover o desenvolvimento sustentável e os ecossistemas produtivos, além de se concentrar nos fenômenos por trás dos fluxos migratórios. Entre as raízes do deslocamento, estão a violência, as disparidades salariais e o desemprego entre os jovens, o impacto das mudanças climáticas e a reunificação familiar.

A chefe da comissão defendeu a estratégia durante visita a Bruxelas para as Jornadas Europeia de Desenvolvimento 2019, realizadas em 18 e 19 de junho.

Alicia lembrou que, em média, nos países do norte da América Central, os 10% mais ricos ganham até 70 vezes mais do que os 10% mais pobres. Na sub-região, em torno de 362 mil jovens buscam ingressar no mercado de trabalho todos os anos, mas apenas 127 mil novos postos de trabalho são abertos.

De acordo com a CEPAL, a concepção de um espaço econômico compartilhado com o México deve incluir uma visão de desenvolvimento com foco ampliado em segurança humana, incluindo a segurança do emprego, da renda, da educação, da proteção social e dos meios de subsistência. O objetivo deveria ser garantir que a migração fosse uma opção e não, uma obrigação.

Ao lado de autoridades da Comissão e União Europeias e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alicia apresentou o Plano de Desenvolvimento Integral para El Salvador, Guatemala, Honduras e México.

A dirigente explicou que o documento visa orientar ações para melhorar substancialmente a qualidade de vida da população. O planejamento conta com quatro eixos programáticos, acordados pelos quatro países. São eles desenvolvimento econômico; bem-estar social; sustentabilidade ambiental e gestão dos riscos; e gestão integral do ciclo migratório, com segurança humana.