CEPAL: cooperação com países de renda média deve ir além da ajuda financeira

O desenvolvimento em transição fomenta novas formas de cooperação internacional que vão muito além da assistência financeira e da ajuda oficial ao desenvolvimento, e implicam um esforço coordenado nos níveis nacional, regional e internacional, afirmou no fim de setembro (24) a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, ocorrida na última semana em Nova Iorque.

O conceito de desenvolvimento em transição tem especial importância para a América Latina e o Caribe, região onde a maioria dos países está alcançando maiores níveis de renda, mas continuam enfrentando desafios estruturais. Esses desafios estão relacionados principalmente com as desigualdades, as diferenças regionais, a mobilização de recursos internos e o enfraquecimento dos marcos sociais, assim como às escassas capacidades de inovação e baixos níveis de diversificação.

Erradicação da pobreza é o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 1. Foto: EBC

Erradicação da pobreza é o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 1. Foto: EBC

O desenvolvimento em transição fomenta novas formas de cooperação internacional que vão muito além da assistência financeira e da ajuda oficial ao desenvolvimento, e implicam um esforço coordenado nos níveis nacional, regional e internacional, afirmou no fim de setembro (24) a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em evento de alto nível paralelo à Assembleia Geral da ONU, ocorrida na última semana em Nova Iorque.

O evento “Desafios emergentes e paradigmas em transformação: novas perspectivas sobre a cooperação internacional para o desenvolvimento”, organizado por CEPAL, União Europeia e centro de desenvolvimento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), promoveu um debate de alto nível sobre os conceitos em evolução da cooperação para o desenvolvimento com ênfase no conceito emergente de “desenvolvimento em transição”.

A reunião foi inaugurada por Amina Mohammed, vice-secretária executiva da CEPAL; Angel Gurría, secretário-geral da OCDE; e Stefano Manservisi, diretor-geral de cooperação internacional e desenvolvimento da Comissão Europeia.

Também participaram Mario Pezzini, diretor do centro de desenvolvimento da OCDE; Rodrigo Malmierca, ministro do Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro de Cuba, em sua qualidade de presidente da CEPAL; e Mónica Aspe, embaixadora, representante permanente do México diante da OCDE.

Posteriormente, a secretária-executiva da CEPAL, em sua qualidade de representante das cinco comissões regionais das Nações Unidas, falou na reunião de alto nível sobre financiamento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, na qual instou os países a buscar transformações nas conversas entre governo, mercado e sociedade.

Em sua primeira intervenção, Bárcena participou do painel “Repensando a cooperação internacional para o desenvolvimento para não deixar ninguém para trás”, onde afirmou que o desenvolvimento em transição representa um esforço multilateral concreto para avançar e atuar na implementação da Agenda 2030.

“O desenvolvimento em transição, com seu enfoque em repensar a cooperação internacional para o desenvolvimento como algo que vá além das rendas e dos meros esquemas de ajuda financeira, vai de mãos dadas com a ideia de desenvolvimento de sociedades, permanecendo ao mesmo tempo estreitamente focado nos países em desenvolvimento e suas necessidades diversas”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL.

Ela lembrou que a Agenda 2030 não pode ser conquistada isoladamente ou apenas melhorando a ajuda financeira. Nesse contexto, o desenvolvimento em transição representa uma oportunidade irresistível para avançar na busca pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), disse.

Na reunião, a CEPAL e o centro de desenvolvimento da OCDE apresentaram o documento “Desafios emergentes e paradigmas em transformação: novas perspectivas para a cooperação internacional para o desenvolvimento”, que promove um debate oportuno sobre como tornar as relações internacionais mais relevantes, receptivas e aptas para o propósito de “não deixar ninguém para trás”.

O conceito de desenvolvimento em transição tem especial importância para a América Latina e o Caribe, região onde a maioria dos países está alcançando maiores níveis de renda, mas continuam enfrentando desafios estruturais. Esses desafios estão relacionados principalmente com as desigualdades, as diferenças regionais, a mobilização de recursos internos e o enfraquecimento dos marcos sociais, assim como com as escassas capacidades de inovação e baixos níveis de diversificação.

Nesse contexto, União Europeia, centro de desenvolvimento da OCDE e CEPAL lançaram em maio passado o instrumento “Facilidade para o Desenvolvimento em Transição“, uma ferramenta que busca promover o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe à medida que os países fazem a transição para níveis de renda mais elevados.

À tarde, Bárcena interveio na reunião de alto nível sobre financiamento da Agenda 2030, que foi inaugurada por António Guterres, secretário-geral da ONU, e Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No evento, discursaram autoridades como Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, e Paul Kagame, presidente de Ruanda, entre outros chefes de Estados e personalidades do setor privado, entre elas, Bill Gates, co-fundador da Função Bill e Melinda Gates.

Durante sua intervenção, no painel “Mobilizando o investimento privado para o desenvolvimento sustentável”, a secretária-executiva da CEPAL pediu a criação de uma nova narrativa e financiamento do desenvolvimento de maneira conjunta.

“Precisamos de mais interação para que juntos mudemos a narrativa. Precisamos de diálogo, mudar a conversa entre governo, mercado e sociedade”, disse.

Bárcena destacou que os países que compõem as regiões representadas nas cinco comissões das Nações Unidas (Ásia e Pacífico, Ásia Ocidental, África, América Latina e Caribe e Europa) possuem diferentes tamanhos e níveis de fluxos de capital.

Nesse contexto, afirmou a necessidade de saber quais incentivos requerem os investimentos para se somar ao grande impulso ambiental.

“O desenvolvimento é gradualidade, não graduação, é como nos movemos juntos e como fazemos essa aliança público-privada”, concluiu.


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