CEPAL chama Sistema ONU a abordar causas fundamentais da migração

A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, fez na terça-feira (26) um chamado à comunidade internacional e às agências do Sistema das Nações Unidas a abordar as raízes e causas fundamentais da migração com o objetivo de enfrentar o tema do deslocamento de pessoas em diversas partes do mundo.

Crianças desacompanhadas estão entre os migrantes da América Central que caminham em direção aos Estados Unidos. Na foto, são retratados nas ruas de Tapachula, Chiapas, México, em 21 de outubro de 2018. Foto: UNICEF México

Crianças desacompanhadas estão entre os migrantes da América Central que caminham em direção aos Estados Unidos. Na foto, são retratados nas ruas de Tapachula, Chiapas, México, em 21 de outubro de 2018. Foto: UNICEF México

A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, fez na terça-feira (26) um chamado à comunidade internacional e às agências do Sistema das Nações Unidas a abordar as raízes e causas fundamentais da migração com o objetivo de enfrentar o tema do deslocamento de pessoas em diversas partes do mundo.

A alta funcionária da ONU moderou um painel sobre migração e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável durante um simpósio de especialistas sobre migração internacional e desenvolvimento, realizado na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, organizado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização (DESA, na sigla em inglês) e patrocinado pelo escritório da presidência da Assembleia Geral da ONU e da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Participaram da sessão António Vitorino, diretor-geral da OIM; Santiago Pareja, vice-ministro de mobilidade humana do Equador e presidente designado para 2019 do Fórum Global para a Migração e o Desenvolvimento; Felipe Morales, relator especial da ONU para os direitos humanos dos migrantes; e Richard Blewitt, chefe da delegação e representante permanente da ONU na Federação Internacional da Cruz Vermelha.

Durante seu discurso, Bárcena destacou a conexão existente entre a migração e a Agenda 2030. “Existe uma urgência de fechar as lacunas da migração. Nisso a Agenda 2030 nos permite avançar nas desigualdades estruturais e abordar as causas de fundo dos deslocamentos”, declarou. Ela também falou sobre a importância da dimensão regional em temas de migração e a necessidade de dados padronizados e confiáveis que permitam a todos os atores envolvidos dimensionar corretamente a magnitude dessa realidade.

A secretária-executiva da CEPAL explicou que a migração internacional é um fenômeno de crescente complexidade já que hoje existem 258 milhões de migrantes internacionais no mundo, que estão vivendo fora de seus países de origem. Além disso, muitos países se transformaram em territórios de origem, trânsito ou destino e os fluxos migratórios entre regiões e Sul-Sul se intensificaram nos últimos anos, caracterizados por ter diferentes motivos, oportunidades e regimes legais tanto nos países de origem como nos de destino.

Bárcena destacou também o importante exemplo dado pela América Latina em temas de migração, com o amplo acordo de desenvolvimento firmado recentemente no Triângulo Norte da América Central entre Guatemala, Honduras e El Salvador.

Ela enfatizou também que com uma administração adequada, a migração pode ser um motor para o desenvolvimento econômico e a inovação, uma oportunidade para trocar conhecimento e ideias através dos países e culturas, e um caminho para que os indivíduos e suas famílias possam construir vidas melhores para eles mesmos e seus entes queridos.

“As comissões regionais da ONU — entre elas, a CEPAL — podem apoiar com dados e chegar ao centro do problema em termos de desigualdade e oportunidades econômicas”, declarou. “Temos a possibilidade de ajudar no acompanhamento e monitoramento do Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular — aprovado em Marrakesh há alguns meses — e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à migração”, disse.

Finalmente, Bárcena lembrou a importância de reforçar a cooperação regional em temas de migração, a produção de dados confiáveis e desagregados não apenas por gênero, mas também por outros grupos relevantes da população (como indígenas, por exemplo), e o estabelecimento de associações para enfrentar o problema, tanto com o setor privado como com governos, organizações não governamentais e outros grupos envolvidos.


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