Brasileiros dão sua opinião sobre assuntos a serem incluídos nos Objetivos de Desenvolvimento da ONU

Participantes pediram maior ênfase na mudança climática e sobre os temas das drogas, saúde, transportes, segurança alimentar, violência e situações humanitárias.

Arte: Centro Rio+

Arte: Centro Rio+

Organizada pelo Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+), a consulta online com a sociedade civil brasileira revelou que o documento final do Grupo de Trabalho Aberto (GTA) sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é percebido como um avanço frente à agenda de desenvolvimento vigente, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

No entanto, muitos participantes da iniciativa comentaram que o documento prevê um número excessivo de objetivos – 17 contra os oito dos ODM -, com algumas contradições, ausência de hierarquia, indicadores, metas e prazos definidos. Tais argumentos apresentados na consulta realizada entre 25 de agosto e 5 de setembro integram os resultados lançados nesta quarta-feira (24) pelo Centro RIO+. A data coincide com o início da 69ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que responderá pela etapa derradeira de negociações para a aprovação dos ODS e da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, prevista para setembro de 2015.

A agência da ONU sintetizou as contribuições recebidas em 12 mensagens-chave e enviou para especialistas no assunto, representando o governo brasileiro, academia e organismos internacionais para que respondessem às dúvidas e aos comentários manifestados na consulta. Dessa forma, o Centro RIO+ procura construir uma ponte entre os negociadores, seus assessores e a sociedade civil brasileira, ampliando a participação pública nos processos relacionados à agenda pós-2015 e incentivando uma reflexão crítica sobre a implementação da proposta dos ODS no Brasil.

Entre os comentários recebidos, encontram-se a recomendação de inclusão de prazos intermediários para o alcance das metas e maior clareza nas definições. Observou-se, por exemplo, que pobreza extrema é um conceito que merece ser revisto para se adaptar às particularidades internacionais. A crítica ao uso do Produto Interno Bruto (PIB) como métrica para medir o desenvolvimento, particularmente sobre o fato dele não monitorar a qualidade do crescimento, também destacou-se nas contribuições apresentadas na consulta.

Os participantes também pediram maior ênfase no tema da mudança climática e nos meios de implementação e abordagem mais adequada sobre os temas das drogas, saúde, transportes, segurança alimentar, violência e situações humanitárias.

Acesse aqui as mensagens-chave, comentários de especialistas e o resumo das contribuições recebidas.