Centro Panamericano de Febre Aftosa da ONU possui primeiro laboratório de refêrencia da América do Sul

Funcionando em Minas Gerais, o laboratório possui regras rigorosas, como mudança completa de roupa, ducha e outras precauções de segurança para evitar todo risco de contágio. Seu trabalho inicial se concentrará em dar apoio à eliminação da febre aftosa na região.

Os profissionais da Panaftosa, Rossana Allende e Antonidio Lima trabalham no novo laboratório. Foto: Panaftosa

Como parte das atividades de rotina no laboratório BSL 4 OIE, o pessoal do Panaftosa revisa os manômetros para verificar se o grau de pressão negativa nas salas do laboratório se mantém. Como uma das ferramentas de mitigação dos riscos biológicos; a pressão negativa ajuda a prevenir que os patógenos saiam do laboratório. Foto: Panaftosa

O Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa) da Organização Panamericana de Saúde (OPAS/OMS), que funciona em Duque de Caxias no Rio de Janeiro, possui agora um laboratório de vanguarda em Minas Gerais para manipular agentes patogênicos perigosos. O estabelecimento cumpre com as normas mais altas de biossegurança e bioproteção estabelecidas pela Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE).

A inauguração oficial em 18 de setembro de 2014 do laboratório de referência de Panaftosa, em Pedro Leopoldo (MG), marca a finalização de um largo trajeto, que começou no fim dos anos 90, quando o laboratório do centro da OPAS em Duque de Caxias teve que deixar de manipular as mostras vivas do vírus da febre aftosa devido – paradoxalmente – ao avanço que se havia logrado quanto a eliminação dessa enfermidade no estado. O laboratório é vizinho ao Laboratório Nacional Agrícola do Brasil (Lanagro) dentro de um grande complexo que pertence ao Ministério da Agricultura, a quase 500 quilômtros da sede do centro no Rio de Janeiro, onde funcionava o laboratório anterior.

O laboratório é o primeiro na América do Sul a ser reconhecido como laboratório de referência para a febre aftosa e a estomatites vesicular pela OIE e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura(FAO), ser administrado por uma organização internacional e estar integrado com uma organização da saúde pública como a OPAS/OMS.

Panaftosa e Lanagro são regidos por rigorosas medidas de biocontenção para prevenir a contaminação dentro do complexo. A entrada e saída da área de laboratório de nível de biossegurança 4 requer uma mudança completa de roupa, ducha e outras precauções de segurança para evitar todo risco. Só um número reduzido de pessoas designadas pode acessar as salas de trabalho por meio de uma senha.

Inicialmente, o laboratório se concentrará em sua missão original: dar apoio à eliminação da febre aftosa na região mediante serviços de diagnóstico para os estados-membros, formulação de normas com respeito as provas e as vacinas e distribuição dos reativos biológicos de referência para os laboratórios nacionais dos países da região.

A febre aftosa é uma doença altamente infecciosa, até mesmo fatal, que afeta o gado bovino e outros animais de casco fendido. A doença constitui uma barreira para o movimento e o comércio nacional e internacional de animais e seus produtos, com consequências negativas tanto sociais como econômicas.

Outras doenças prioritárias para Panaftosa são algumas zoonoses, como a encefalites equina e a gripe zoonótica, que poderão incorporar-se no futuro no trabalho do laboratório. Isto dependerá de uma avaliação dos riscos biológicos que assegure que estão sendo cumpridos os requisitos para manipular este tipo de agentes patogênicos dentro do estabelecimento e de acordo das autoridades brasileiras.

Um virólogo de Panaftosa supervisará o trabalho do laboratório de referência, com o apoio de cinco técnicos. A equipe de Pedro Leopoldo depende diretamente da Panaftosa.

Desde a criação de Panaftosa em 1951, o governo brasileiro tem proporcionado os edifícios e as instalações necessárias para alojar este centro da OPAS, assim como equipe e materiais. Contudo, no fim dos anos 90 quando o estado do Rio de Janeiro foi declarado “livre de febre aftosa com vacinação”, já não foi possível trabalhar com o vírus vivo de febre aftosa no laboratório do centro, de nível de biossegurança 2. Desde então o Centro tem usado temporariamente o Laboratório Nacional Agrícola de Belém, no estado do Pará, no norte do país, onde a doença é ainda endêmica. Esta solução resultou em um grande desafio, em particular para manejar os graves surtes internacionais como o que ocorreu no Cone Sul em 2001.

O fortalecimento da capacidade em matéria de laboratórios de Panaftosa foi uma recomendação que o Grupo Assessor Externo sobre Saúde Pública Veterinária fez a Diretora da OPAS, no qual se solicitava um esforço especial em curto prazo em vias de atingir a construção, o melhoramento e a acreditação de redes de laboratórios que incluíram centros de referência com condições adequadas de biossegurança. Por outro lado, também responde a recomendação do 51.º Conselho Diretivo, que manifestou que em vista da convergência da saúde humana e animal, é cada vez maior a necessidade de exercer a liderança na área das zoonoses, a inocuidade dos alimentos e a segurança alimentar.