Centro da ONU conta histórias de vida de moradores do Rio

O Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+) lançou uma campanha no Facebook na página da ONU “Humans of MY World”, com o objetivo de disseminar histórias de vida de pessoas que moram no Rio de Janeiro e saber o que desejam para o futuro, em uma contagem regressiva para o início das Olimpíadas Rio 2016.

Key Tetra, 38 anos, é barbeiro, fotógrafo e produtor cultural. Foto: Centro RIO+

Key Tetra, 38 anos, é barbeiro, fotógrafo e produtor cultural. Foto: Centro RIO+

O Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+) lançou uma campanha no Facebook na página da ONU “Humans of MY World”, com o objetivo de disseminar histórias de vida de pessoas que moram no Rio de Janeiro e saber o que desejam para o futuro, em uma contagem regressiva para o início das Olimpíadas Rio 2016.

Roberta Thomaz, membro da equipe do Centro RIO+, foi enviada às ruas da cidade para homenagear os cidadãos da cidade que é palco das Olimpíadas e registrar personagens com fotos e depoimentos.

Legado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o Centro RIO+ foi estabelecido por meio de uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para manter o comprometimento com o desenvolvimento sustentável.

A iniciativa online lançada tem o objetivo de inspirar e informar sobre políticas e práticas que levem a uma maior justiça social, ambiental e econômica, em uma tentativa de transformar o cotidiano urbano, artístico e social da população da cidade.

Um dos personagens registrados foi o barbeiro, fotógrafo e produtor cultural conhecido como Key Tetra, 38 anos. Para ele, é preciso não deixar ninguém — um dos princípios dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas —, principalmente as crianças.

“A base familiar é a maior dificuldade daqui: os jovens não têm que colocar dinheiro dentro de casa, mas estudar, fazer um curso de qualificação. Vejo as nossas crianças e sinto que não posso deixá-las para trás, preciso orientá-las para que se tornem pessoas do bem”, diz.

Dalton Franco, 37 anos, nasceu em Belford Roxo. Foto: Centro RIO+

Dalton Franco, 37 anos, nasceu em Belford Roxo. Foto: Centro RIO+

Outro morador da cidade ouvido pela equipe do Centro RIO+ foi Dalton Franco, 37 anos. Nascido em Belford Roxo, ele contou que não teve acesso a nenhuma infraestrutura pública quando era criança. “Quando chovia, eu e minha família nos amontoávamos em um só cômodo, porque os outros estavam cheios de goteira”, afirma.

“A situação dos meus amigos era ainda pior: entre os miseráveis, eu era o pobre — e, pelo menos, não apanhava em casa, ao contrário deles”, conta. Quando virou adolescente, tornou-se vendedor de assinaturas de revista e passou a conviver com pessoas que liam, o que despertou sua curiosidade.

“Comecei a viver num meio diferente e isso estimulou em mim o desejo de passar no vestibular. Tentei por três anos antes de passar, mas consegui na quarta tentativa. Hoje, tenho mestrado, doutorado e dou aulas para alunos que, como eu, vieram de uma vida difícil”, declara.

“Criei o Laboratório John Rawls para que eles possam viver o mundo da pesquisa. A melhor parte de ser professor é saber que estou contribuindo para que meus alunos conquistem seus sonhos.”

Leia mais histórias do Rio na página Humans of MY World.