Cartilha da ONU em Braille amplia acesso a informações sobre igualdade LGBTI

Para democratizar o acesso a informações sobre direitos humanos, a campanha Livres & Iguais da ONU lançou uma cartilha em Braille sobre ações que buscam integrar pessoas LGBTI ao mercado de trabalho e à sociedade.

Destinado a empresas e à sociedade civil, o folder disponibiliza padrões de conduta e explica como a inclusão é positiva. Hoje, 4 de janeiro, é Dia Mundial do Braille.

Cartilha em Braille aborda padrões de conduta para inclusão de pessoas LGBTI. Foto: Maira Galvão

Cartilha em Braille aborda padrões de conduta para inclusão de pessoas LGBTI. Foto: Maira Galvão

Pessoas com deficiência visual encontram diversos obstáculos no cotidiano por falta de acessibilidade e uma das principais dificuldades se refere à leitura e à informação. De acordo com a União Mundial de Cegos (WBU, na sigla em inglês), menos de 10% dos livros publicados se tornam acessíveis para essa população, o que limita o leque de oportunidades de pleno desenvolvimento, educação e trabalho. Além disso, as poucas obras que são publicadas têm um custo muito mais alto do que os originais.

A fim de romper esse ciclo e democratizar o acesso à informação sobre direitos humanos, a campanha da ONU Livres & Iguais lançou em 2018 uma cartilha em Braille sobre ações que buscam integrar pessoas LGBTI ao mercado de trabalho e à sociedade. Destinado a empresas e à sociedade civil, o folder disponibiliza padrões de conduta que orientam iniciativas e mostram como a inclusão é positiva.

A Livres & Iguais é uma iniciativa das Nações Unidas para promover a igualdade de direitos e o tratamento justo de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersexo. No Brasil, o projeto é liderado pelo Escritório de Coordenação da Organização.

De acordo com a cartilha, devido a fatores que vão da força de trabalho reduzida e perda de talentos à falta de produtividade, o preço pago pela discriminação é muito alto. Um estudo recente do Banco Mundial estimou que a discriminação contra pessoas LGBTI pode custar o valor de uma economia do tamanho da Índia — aproximadamente 32 bilhões de dólares ao ano. Esse montante poderia ser revertido em serviços essenciais, como educação e saúde.

Ainda são poucos os materiais impressos que têm a preocupação de ser acessíveis às pessoas cegas. “Isso vai de coisas simples, como um cartão de visitas que inclua suas informações de contato em Braille, a folhetos de distribuição ao público, relatórios e outras publicações. É importante lembrar também que os materiais disponíveis online, inclusive nas redes sociais, estejam em formatos compatíveis com programas leitores de tela”, afirma a assistente de direitos humanos da ONU Brasil Maria Eduarda Dantas.

Dantas avalia ainda que, para as pessoas não cegas, entregar materiais impressos em Braille passa uma mensagem muito positiva de inclusão, pois contribui para a visibilidade das pessoas com deficiência e lembra que existe uma grande diversidade de corpos e de capacidades.

A cartilha incentiva que os locais de trabalho tenham ambientes mais seguros, justos e acolhedores, uma vez que as empresas têm um importante papel no desenvolvimento social dos países e responsabilidade em promover a diversidade e uma cultura de respeito e igualdade. O material ressalta que todos têm responsabilidade e podem participar na construção de uma sociedade mais inclusiva.

A publicação apresenta cinco padrões de conduta: respeitar os direitos humanos em todas as ocasiões; eliminar a discriminação no local de trabalho; dar apoio no local de trabalho; prevenir outras violações de direitos humanos no mercado; e agir na esfera pública. O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas encoraja empresas e sociedade civil a usar esses padrões de conduta e a divulgar e promover seu uso.

O documento foi elaborado a partir de uma consultoria da [SSEX BBOX] — Sexualidade fora da caixa, com apoio da Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados. A cartilha é distribuída gratuitamente durante os eventos da campanha Livres & Iguais, da ONU Brasil e parceiros. Acesse a cartilha na íntegra clicando aqui.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é um dos organismos da ONU Brasil que apoia a campanha Livres & Iguais.

Sobre a Livres & Iguais

A Livres & Iguais é a campanha da Organização das Nações Unidas pela promoção da igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersexo (LGBTI).

O projeto é uma iniciativa inédita e global do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). A campanha é motivada pelo reconhecimento de que a orientação sexual e a identidade de gênero atuam como fatores que estruturam desigualdades sociais e impactam negativamente a realização plena dos direitos humanos das pessoas LGBTI.

A Livres & Iguais tem por objetivo promover a conscientização sobre a violência e a discriminação homofóbica e transfóbica e promover um maior respeito pelos direitos das pessoas LGBTI, em todos os lugares do mundo.

Implementada no Brasil desde 2014, a iniciativa possui parcerias com órgãos governamentais e privados, contando com Daniela e Malu Mercury, a cantora Liniker e o cantor Johnny Hooker como seus Campeões da Igualdade.

Saiba mais sobre os projetos desenvolvidos para a população trans no âmbito da campanha Livres & Iguais clicando aqui.


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