Carros de observadores da ONU são apedrejados e alvejados na Síria

Crianças na Síria tem sido vítimas de assassinato, violência sexual, mutilação, arbitrariedade, prisão, tortura e maus-tratos.

Fumaça flutua no céu a partir de edifícios e casas atingidas por bombardeios em Homs, na Síria. (ONU/David Manyua)

Após diversas tentativas, observadores da ONU na Síria foram impossibilitados na terça-feira (12/06) de alcançar a cidade de al-Haffeh. Uma multidão cercou os automóveis, que, após começarem a se retirar, também foram alvejados. Os responsáveis pelos disparos ainda não foram identificados.

“A multidão, aparentemente formada por habitantes da área, arremessou metais e pedras nos veículos. Os observadores recuaram”, disse Sausan Ghosheh, Porta-Voz da Missão de Supervisão da ONU na Síria (UNSMIS). “Quando eles estavam saindo da área, três veículos que se dirigiam para Idlib foram atacados com armas de fogo”. Ghosheh informou que o comboio chegou em segurança à base. “A UNSMIS pede que as partes garantam aos observadores da ONU imediato acesso às zonas do conflito”.

Em Genebra, o Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, anunciou por seu Porta-Voz, Ahmad Fawzi, a formação de um grupo internacional de contato com a Síria. O grupo será liderado por Annan. “O objetivo é fortalecer o plano do Enviado Especial (…) [para] convencer as partes a implementá-lo. Esse é o único plano em negociação por enquanto”, disse.

Crianças sírias são usadas em atentados suicidas

As crianças na Síria – onde mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, já foram mortos desde o iníco da revolta contra o Presidente Bashar al-Assad há 16 meses – foram vítimas de assassinato e mutilação, prisões arbitrárias, tortura e maus-tratos, incluindo violência sexual praticada pelas forças armadas sírias, as forças de inteligência e a milicia Shabiha.

Em prisões, meninas e meninos foram agredidos, tiveram olhos vendados, foram sujeitos a posições de stress e choques elétricos, bem como sofreram agressões com pesados cabos elétricos, informou o escritório da Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy.

Escolas também foram invadidas e usadas como bases militares ou prisões. Outra tendência crescente é o uso de crianças em atentados suicidas ou como “vítima-terrorista”, quando não sabem que estão carregando explosivos que podem ser detonados a distância.