Cárceres superlotados podem ter contribuído para tragédia em Honduras, diz especialista da ONU

Especialista pede que toda América Latina enfrente problemas de superlotação no sistema carcerário. Tragédia em Honduras matou mais de 300 pessoas durante incêndio na prisão.

 (Andrew Bardwell)O Assessor de Direitos Humanos para o Sistema das Nações Unidas em Honduras, Antonio Maldonado, fez um apelo nesta quarta-feira (15/02) para que a América Latina enfrente o problema de superlotação nas prisões, para evitar tragédias como a que matou mais de 300 prisioneiros durante um incêndio em uma prisão de Honduras esta semana.

O Assessor disse à Rádio da ONU que a superlotação pode ter contribuído para a inevitabilidade das mortes nas celas em Tegucigalpa. “Devemos esperar até uma investigação aprofundada seja conduzida para que possamos apontar a causa. Mas é certo que há um problema de superlotação no sistema carcerário, não apenas no país como em muitas outras prisões na América Latina”.

Na última semana, o representantes regional da América do Sul do Escritório do Alto Comissariado para Direitos Humanos (ACNUDH), Amerigo Incalcaterra, citou a superlotação crônica como uma das causas-chaves por trás da recente onda de violência em cadeias por todo o continente.

Na última quarta-feira (15/02), outra enviada da ONU, a Relatora Especial Margaret Sekaggya encerrou uma visita de oito dias ao país para monitorar a situação dos direitos humanos. Segundo ela, defensores do Estado de Direito, como advogados, jornalistas, procuradores e até a Comissão Nacional de Direitos Humanos sofrem perseguição, estigmatização, tortura, desaparecimento forçado e execuções.

“A impunidade generalizada e a ausência de investigações eficazes das violações dos direitos humanos minam a administração da justiça e prejudicam a confiança do público nas autoridades”, concluiu Sekaggya.