Capacitação da mulher é vital para o desenvolvimento da economia e para a paz

A igualdade de direitos para as mulheres é essencial para o crescimento da economia em geral, para as comunidades e para as próprias mulheres, afirmou esta semana a Vice-Secretária-Geral da ONU, Asha-Rose Migiro. “Numerosos estudos descobriram que empresas que têm uma representação mais balanceada de homens e mulheres em seus altos cargos de gestão superam consideravelmente aqueles em que tal representação é mais baixa”.

Vice-Secretária-Geral das Nações Unidas, Asha-Rose Migiro, durante a décima sexta comemoração do Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio no Ruanda em 1994, realizada na sede da ONU em Nova York em abril de 2010. Foto: UN/Paulo Filgueiras.Desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, paz e segurança não podem ser atingidos sem igualdade de sexos, afirmou na última terça-feira (17) a Vice-Secretária-Geral das Nações Unidas, Asha-Rose Migiro, citando evidências do impacto positivo da emancipação das mulheres. “Numerosos estudos descobriram que empresas que tem uma representação mais balanceada de homens e mulheres em seus altos cargos de gestão superam consideravelmente aqueles em que tal representação é mais baixa”, declarou, durante o Fórum Internacional sobre o Papel da Liderança na Promoção da Igualdade dos Gêneros, realizado em Kigali, Ruanda.

Ela citou numerosos avanços da década passada, quando os Estados davam maior atenção à superação da segregação; introduziu medidas de suporte para o acesso igualitário das mulheres aos recursos econômicos, incluindo créditos e direito à terra; adicionou acesso à educação para meninas de todos os níveis sociais; e estabeleceu abrangentes quadros legais, políticos e institucionais para acabar com a violência contra mulheres e meninas.

“Vem crescendo o reconhecimento dos governos e do setor privado de que investir em mulheres e meninas tem um poderoso efeito multiplicador na produtividade, na eficiência e no crescimento econômico”, afirmou. “Então, há muitas boas práticas das quais podemos tirar conhecimento. O desafio a seguir é expandir e aplicar mais essas práticas sistematicamente, particularmente em áreas em que isso mais precisa ser feito. Os custos da desigualdade – para mulheres e meninas, para suas comunidades, para as economias em geral – são altas demais”, acrescentou, citando estimativas da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia e o Pacífico (ESCAP). A região perde mais de 47 bilhões de produtividade a cada ano devido à falta de participação feminina no mercado de trabalho.

“A economia global e a crise financeira geraram uma nova noção de urgência para ações comprometidas e aceleradas para combater a discriminação de gênero, violações dos direitos humanos e violência contra a mulher”, ressaltou, pedindo por liderança em todos os níveis e de muitas formas, de modo a garantir uma maior participação das mulheres na tomada de decisão política, em reuniões corporativas, em processos de seleção justos e promoção dentro dos partidos políticos. “A igualdade é um objetivo-chave em si. Mas é mais do que isso. A capacitação das mulheres é um meio essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, a paz e a segurança”.