Câncer de colo do útero é terceiro mais comum entre mulheres latino-americanas

Para prevenir HPV e evitar riscos associados à doença, OPAS recomenda vacinação de meninas entre 9 e 14 anos. Foto: Prefeitura de João Pessoa / Alessandro Potter

No marco do Dia Mundial contra o Câncer, 4 de fevereiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) convoca a acelerar os esforços de prevenção e controle para criar um futuro sem câncer de colo do útero, que é o terceiro mais comum entre as mulheres na América Latina e no Caribe, mas que pode ser prevenido.

A cada ano, mais de 56 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo do útero na América Latina e no Caribe e mais de 28 mil perdem a vida por conta dessa doença. Esse número chega a 72 mil diagnósticos e 34 mil óbitos se os Estados Unidos e o Canadá forem incluídos. No entanto, há ferramentas de prevenção e tratamento que salvam vidas.

“É inaceitável que as mulheres hoje morram de uma doença que em grande medida pode ser prevenida”, disse Silvana Luciani, chefe da Unidade de Doenças Não Transmissíveis da OPAS.

O câncer de colo do útero pode ser prevenido por meio da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV). Há mais de uma década, existem vacinas que protegem contra os tipos frequentes de HPV que causam câncer. A OPAS recomenda administrar essa vacina a meninas de 9 a 14 anos.

Além da vacinação, a triagem e o tratamento de lesões pré-cancerosas podem prevenir novos casos e mortes. Com o tempo, o câncer de colo do útero pode ser eliminado como um problema de saúde pública, conforme dito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em seu apelo à ação em maio de 2018, na Assembleia Mundial da Saúde.

A vacina contra o HPV está disponível em 35 países e territórios da Região das Américas. No entanto, na maioria deles, a taxa de cobertura vacinal do HPV com as duas doses recomendadas ainda está abaixo da meta de pelo menos 80% das meninas. Além disso, existem lacunas no acesso aos serviços para triagem e tratamento de lesões pré-cancerosas, e as taxas de cobertura de rastreamento são menores do que a meta de pelo menos 70% das mulheres com idade entre 30 e 49 anos. Estima-se que pelo menos 32 milhões de mulheres precisem fazer exame de prevenção para câncer de colo do útero na região.

Para aumentar a conscientização pública sobre a doença, a OPAS lançou em novembro a campanha de comunicação “É hora de acabar com o câncer de colo do útero”. Sob o lema “Não deixe o câncer de colo do útero te deter”, a iniciativa fornece informações sobre vacinas contra o HPV e convoca as mulheres a fazerem exames regulares para detectar lesões pré-cancerosas. A campanha responde ao plano de reduzir em um terço os novos casos de câncer de colo do útero e mortes na região até 2030, conforme acordado pelos ministros da Saúde na reunião do Conselho Diretor da OPAS em 2018.

“Os governos precisam tomar medidas urgentes para garantir que todas as meninas sejam vacinadas contra o HPV e que todas as mulheres com mais de 30 anos sejam examinadas e tratadas para lesões pré-cancerosas”, disse Luciani. “Fazer isso salvará a vida de milhares de mulheres”.

Dia Mundial contra o Câncer 2019

O Dia Mundial do Câncer, que ocorre a cada ano no dia 4 de fevereiro – coordenado pela União Internacional de Controle do Câncer (UICC) –, é uma oportunidade para unir o mundo inteiro na luta contra a epidemia global do câncer.

Este ano, 2019, marca o lançamento da campanha de três anos com o slogan “Eu sou e eu vou”, uma chamada à ação que fortalece e pede um compromisso pessoal para ajudar a reduzir o impacto do câncer.

Câncer nas Américas

• O câncer é a segunda principal causa de morte nas Américas.

• Em 2018, houve 3.792.000 novos casos – 21% do total no mundo – e 1.371.000 mortes por câncer na região.

• Existe a previsão de que, até 2030, a carga de câncer aumentará em 32% para mais de 5 milhões de pessoas diagnosticadas a cada ano na região, com base no envelhecimento da população, exposição a fatores de risco e transição epidemiológica.

• As maiores taxas de incidência de câncer são observadas nos Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Porto Rico, Barbados, Argentina, Brasil, Cuba, Jamaica e Costa Rica.

• A mortalidade por câncer é mais alta no Uruguai, Barbados, Jamaica, Cuba, Argentina, Haiti, Trinidad e Tobago, Suriname, Chile e República Dominicana.

• A cada ano, mais de 1,8 milhão de novos casos e cerca de 658 mil mortes ocorrem entre as mulheres na região.

• Os cânceres mais frequentes nas mulheres das Américas são: mama (462 mil casos), pulmão (157 mil), colorretal (151 mil), tireoide (98 mil) e de colo do útero (72 mil).

• Entre os homens, há quase 2 milhões de novos casos de câncer e cerca de 713 mil mortes na região a cada ano.

• Os cânceres mais frequentes em homens nas Américas são: pulmão (186 mil), colorretal (157 mil), bexiga (91 mil) e linfoma não Hodgkin (67 mil).

• Evidências científicas atuais indicam que 40% dos cânceres podem ser prevenidos por meio da redução de fatores de risco (uso de tabaco, dietas carentes de frutas e vegetais e altas em carne vermelha e processada, consumo de álcool, sedentarismo, sobrepeso/obesidade, exposição a carcinogênicos no local de trabalho) e vacinação (vacinas contra hepatite B e HPV).

• Outros 30% dos cânceres podem ser curados se forem detectados precocemente e tratados adequadamente.

• Todos os casos de câncer avançado podem se beneficiar de cuidados paliativos.