Campos superlotados impedem acesso de ajuda humanitária para refugiados rohingya em Bangladesh

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À medida que o número de refugiados rohingya em Bangladesh alcança a marca de 800 mil, as agências das Nações Unidas e seus parceiros têm mais dificuldades para levar assistência à crise de refugiados que mais cresce no mundo; campos estão se desenvolvendo em terrenos acidentados, o que torna o acesso extremamente desafiador.

Um total de cinco mil refugiados serão transferidos para o campo recém-inaugurado, que faz parte de uma área de três mil acres, conhecido como ‘Extensão Kutupalong’. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Um total de cinco mil refugiados serão transferidos para o campo recém-inaugurado, que faz parte de uma área de três mil acres, conhecido como ‘Extensão Kutupalong’. Foto: ACNUR/Roger Arnold

À medida que o número de refugiados rohingya em Bangladesh alcança a marca de 800 mil, as agências das Nações Unidas e seus parceiros têm mais dificuldades para levar assistência à crise de refugiados que mais cresce no mundo.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), os campos estão se desenvolvendo em terrenos acidentados, o que torna o acesso extremamente desafiador.

“Com tantas pessoas se instalando em uma área tão pequena, o planejamento e gerenciamento do campo são vitais para a proteção dos refugiados rohingya”, observou a OIM em um comunicado à imprensa.

Atualmente, existem 817 mil refugiados no Cox’s Bazar, o distrito mais ao sul do Bangladesh, incluindo 200 mil que haviam buscado refúgio antes do recente êxodo, que começou no final de agosto.

Todos – exceto 46 mil – estão vivendo em abrigos improvisados ou locais de deslocamento, instalados em terrenos montanhosos, o que torna o acesso extremamente desafiador.

A OIM tem transportado mais de 740 mil litros de água para os assentamentos, onde muitas vezes só é possível ser carregado manualmente pelos montes íngremes para chegar em idosos e crianças, que de outra forma não teriam acesso.

A construção de estradas e infraestruturas básicas, como drenos e escadas, é portanto fundamental para garantir que todos os refugiados – e em particular os em maior situação de vulnerabilidade – possam receber os serviços o mais rápido possível e prevenir a propagação da doença.

A OIM também enviou equipes de saúde para prestar serviços de saúde de emergência e primária para mais de 53 mil pacientes e distribuiu kits de higiene pessoal a milhares de pessoas.

A agência de migração da ONU também construiu 660 latrinas de emergência e 100 banheiros móveis; cavou doze poços de tubo de profundidade para fornecer assentamentos com água potável; além de criar instalações para maternidades e uma unidade de estabilização do paciente em Kutupalong – um dos maiores assentamentos.

Foram construídos ainda ‘espaços seguros’ em assentamentos, onde mulheres e meninas podem se unir, conversar e passar o tempo juntas em um ambiente protegido – dando-lhes apoio psicossocial necessário.

Ao mesmo tempo, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) deslocou cerca de 1,7 mil novos refugiados de Kutupalong para um campo alocado pelo governo no sudeste do Bangladesh, descongestionando as instalações superlotadas.

Desde o final de outubro, voluntários têm ajudado os refugiados em situação de vulnerabilidade a levar seus pertences ao novo campo. O ACNUR também tem distribuído itens domésticos e kits de abrigo.

De acordo com Babar Baloch, porta-voz da agência da ONU, um total de cinco mil refugiados serão transferidos para o campo recém-inaugurado, que faz parte de uma área de três mil acres, conhecido como Extensão Kutupalong.


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