Campanha #euAbraço promove espírito olímpico e combate ao HIV

Projeto apoiado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) no Brasil utiliza a força simbólica desse tipo de manifestação de afeto para encorajar as pessoas a adotar, durante os Jogos Olímpicos, atitudes de empatia, união, amizade, respeito à diversidade, celebração, apoio e hospitalidade. A iniciativa também alerta para a prevenção do HIV. Campanha foi lançada oficialmente no último sábado (6) na Praça Mauá, centro do Rio.

‘’O abraço acolhe e espalha a simpatia. Um movimento coletivo que traduz a paixão da alma brasileira’’. Sob esse espírito, a campanha #euAbraço, criada a partir de uma parceria entre agências da ONU e o Ministério da Saúde e inspirada no emblema das Olimpíadas Rio 2016, foi oficialmente lançada na tarde do último sábado (6), na Casa Brasil, na Praça Mauá — zona portuária da capital fluminense.

O projeto #euAbraço — que antes do lançamento oficial realizou ações no dia 4 e 5 na Praça Mauá e em Copacabana — utiliza a força simbólica desse tipo de manifestação de afeto para encorajar as pessoas a adotar, durante os Jogos Olímpicos, atitudes de empatia, união, amizade, respeito à diversidade, celebração, apoio e hospitalidade. A iniciativa também alerta para a prevenção ao HIV.

De acordo com Georgiana Braga-Orillard, diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) no Brasil, a campanha está sendo lançada agora justamente para aproveitar o espírito olímpico e de união de povos.

“A campanha foi inspirada no Princípio número 6 da Carta Olímpica, que é justamente o princípio de não discriminação. A gente quer usar o gesto do abraço para trazer uma mensagem bastante positiva às pessoas neste momento, para que elas abracem as diversidades e os mais vulneráveis à epidemia do HIV/Aids”, disse.

Georgiana afirmou que cada abraço vai fazer a diferença para que as metas ”90-90-90” sejam alcançadas. A meta estabelece que, até 2020, 90% das pessoas saibam seu estado sorológico; 90% dessas pessoas estejam em tratamento; e 90% das pessoas em tratamento atinjam a carga viral indetectável.

“A campanha #euAbraço, seja ela na rua ou nas redes sociais, convida a todos a quebrar barreiras que ainda impendem as pessoas de viver uma vida digna com seus direitos respeitados”, declarou.

Para o representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Jaime Nadal, além de abraçar a diversidade, o respeito, a paz e a não violência, o projeto abraça a camisinha.

Para o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, além de abraçar a diversidade, o respeito, a paz e a não violência, o projeto abraça a camisinha. Foto: UNIC Rio/Matheus Otanari

Para o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, além de abraçar a diversidade, o respeito, a paz e a não violência, o projeto abraça a camisinha. Foto: UNIC Rio/Matheus Otanari

“Abraçar a camisinha significa respeitar o outro e ter relações sexuais que não coloquem em perigo as outras pessoas — tanto em relação às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) como em relação ao zika vírus, que pode ser transmitido sexualmente também”, disse.

“As Olimpíadas tem muito a ver com essa cultura. Durante os Jogos, existe a chamada ‘trégua olímpica’. Os países têm de deixar de lutar, e precisam dialogar, se respeitar, tentando resolver as diferenças de um jeito pacífico. Todos temos de abraçar a ideia de respeitar as pessoas. Nos proteger e aos outros através do uso da camisinha feminina e masculina também é uma maneira de demonstrar isso”, acrescentou.

Segundo Ruggery Gonzaga, voluntário da campanha e portador do HIV há seis anos, #euAbraço, antes de tudo, quebra o estigma e o preconceito em relação às pessoas com HIV, bem como passa a mensagem de um mundo melhor e sem discriminação, onde uma pessoa com a doença deve ser igual a todo mundo e não pode ser diferenciada por conta de sua condição sorológica.

“Somos todos uma diversidade, e acredito que a expressão do abraçar é capaz de fazer o impossível acontecer”, disse Ruggery em seu discurso no evento de lançamento da campanha, acrescentando que se sente representando por dezenas de jovens brasileiros que, como ele, vivem as mais distintas realidades e acreditam em dias melhores.

Mariana Braga, oficial de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, disse que a entidade é parceira na campanha #euAbraço por acreditar nos princípios dos direitos humanos, em que todos devem ser respeitados da forma como são.

“Mesmo nos ambientes escolares, todos devem ser respeitados pelo seu credo, por sua ideologia, pela expressão da sua sexualidade, pela sua ideologia de gênero. Isso não deve ser motivo de discriminação em qualquer espaço, inclusive na escola. A mensagem da campanha #euAbraço é justamente essa: você viver em um ambiente livre de estigma”, ressaltou.

Também participaram do lançamento a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV), Adele Benzaken; o secretário de vigilância em saúde substituto do Ministério da Saúde, Alexandre Fonseca Santos; o diretor adjunto da América Latina Aids Healthcare Foundation (AHF), Miguel Pedrola; e a coordenadora do Programa de DST/Aids do município do Rio de Janeiro, Luciane Oscar.

A campanha ficará no Boulevard Olímpico durante as Olimpíadas e no decorrer dos Jogos Paralímpicos, distribuindo mais de 500 mil preservativos masculinos e 10 mil femininos, fornecendo panfletos informativos, fazendo testes de HIV e dando muitos abraços.

Além de atividades presenciais, a iniciativa #euAbraço conta com uma plataforma virtual, o Abraçômetro, que deve ser lançada ainda nesta semana.

Crescimento das novas infecções

O diretor-executivo adjunto do UNAIDS Brasil, Luiz Loures, destacou o progresso do tratamento do HIV no mundo, mas alertou para o crescimento das novas infecções.

‘’Nós estamos vivendo um momento muito especial depois de 30 anos da epidemia da Aids. Há 17 milhões de pessoas em tratamento no mundo hoje. Esse número, há 10 anos, praticamente não existia. O Brasil era o único que tratava. Hoje são 17 milhões, a maior parte na África. Por isso, as mortes por Aids vêm diminuindo”, afirmou.

“No entanto, se olharmos do ponto de vista das novas infecções por HIV, a história já não é tão positiva. No mundo todo, as infecções voltam a crescer, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, declarou.

“Nós ainda estamos registrando 1,9 milhão de infecções por HIV todo ano no mundo. É uma contradição. Nós avançamos tanto no tratamento, mas na prevenção ainda precisamos fazer muito mais”, completou.

Segundo Jaime Nadal, do ponto de vista do UNFPA, há ainda uma preocupação com a demanda insatisfeita de planejamento familiar no Brasil.

Ele citou dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, de 2006, segundo a qual aproximadamente 7% das mulheres em idade reprodutiva gostariam de fazer uso do planejamento familiar e não estão utilizando métodos contraceptivos.

Segundo Nadal, em termos absolutos, esse percentual se refere a cerca de 4 milhões de mulheres em fase reprodutiva. Os números, contudo, devem ser ainda mais elevados no caso de adolescentes, de adolescentes negras e de populações mais vulneráveis.

Jaime recomendou ainda ações focadas nestes grupos, para que os mais vulneráveis possam exercer seis direitos humanos e reprodutivos e fazer uso do direito básico do planejamento familiar.

De acordo com Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil, a campanha está sendo lançada agora justamente para aproveitar o espírito olímpico de união de povos. Foto: UNIC Rio/Matheus Otanara

De acordo com Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil, a campanha está sendo lançada agora justamente para aproveitar o espírito olímpico de união de povos. Foto: UNIC Rio/Matheus Otanara