Campanha da ONU contra a pólio chega a 20 milhões de crianças em todo o Oriente Médio

Dentro da Síria, a campanha tem como alvo 1,6 milhão de crianças com vacinas contra a poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola.

UNICEF se juntou à Organização Mundial de Saúde (OMS) e parceiros para lançar uma enorme campanha de imunização contra a poliomielite na Síria. Foto: UNICEF

UNICEF se juntou à Organização Mundial de Saúde (OMS) e parceiros para lançar uma enorme campanha de imunização contra a poliomielite na Síria. Foto: UNICEF

Com o objetivo de deter um surto de poliomielite na Síria em toda a região, a Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas (OMS) deu início na sexta-feira (8) a maior campanha de imunização já realizada no Oriente Médio, com planos de vacinar cerca de 20 milhões de crianças em sete países e territórios contra o vírus altamente infeccioso.

Apresentando um relatório consolidado sobre o surto de poliomielite, a porta-voz da OMS Sona Bari disse a jornalistas em Genebra que a resposta de imunização, que inclui o UNICEF, já está em curso na região visando mais de 20 milhões de crianças no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Síria e Turquia, bem como Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Bari disse que a resposta sem precedentes para a circulação do vírus da poliomielite na região inclui planos para um esforço sustentado de seis meses de intensa atividade de imunização.

“Vários esforços de imunização em massa visam a proteger o maior número de crianças possível”, disse ela, explicando que dentro da Síria a campanha tem como alvo 1,6 milhão de crianças com vacinas contra a poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola.

Na Jordânia, mais de 18.800 crianças menores de cinco anos de idade foram vacinadas contra a poliomielite em uma campanha nos últimos dias cujo alvo eram crianças no acampamento Za’atari. Além disso, uma campanha em todo o país está em curso para chegar a 3,5 milhões de pessoas com poliomielite, sarampo e rubéola.

Bari disse que, no Iraque, uma campanha de vacinação começou no oeste do país, com mais uma campanha planejada na região do Curdistão nos próximos dias. A campanha nacional do Líbano iria começar no final da semana, e na Turquia e Egito em meados de novembro.

Ela destacou que é igualmente importante a intensificação da vigilância das doenças a nível global para detectar eventuais casos em áreas tidas como livre da pólio.

No final de outubro, a OMS confirmou um surto de poliomielite na Síria, informando que dos 22 casos de paralisia flácida aguda, 10 foram confirmados como sendo o resultado de um vírus da pólio, com outros casos ainda estão sendo investigados.

Os casos foram inicialmente relatados no dia 17 de outubro na província de Deir Al Zour, na região nordeste da Síria. Devido ao prolongado conflito, que deslocou milhões de pessoas, a Síria já havia sido considerada de alto risco para doenças imunopreveníveis.

O país não tinha relatado casos de poliomielite desde 1999, mas as taxas de imunização da Síria despencaram de mais de 90% antes do conflito para atuais 68%. A OMS diz que as evidências preliminares indicam que o poliovírus era de origem paquistanesa e foi semelhante ao detectado no Egito, Israel, Cisjordânia e a Faixa de Gaza.