Caminhada e festas marcam Dia Mundial do Refugiado em Manaus

Dança tradicional venezuelana, brincadeiras para crianças e músicas típicas trouxeram alegria e marcaram a comemoração do Dia Mundial do Refugiado no sábado (22) na capital amazonense.

Cerca de 100 venezuelanos indígenas e não indígenas que moram em Manaus participaram da ação promovida por Cáritas Arquidiocesana de Manaus e Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). As ações tiveram início no Largo São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas, um dos principais pontos turísticos da cidade.

Em uma mistura de espanhol, português e warao, frases de agradecimento e mensagens sobre direitos humanos estampavam cartazes que transmitiram a gratidão de refugiados e migrantes pela acolhida no país e, ao mesmo tempo, a dor de ter deixado tudo para trás.

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Dança tradicional venezuelana, brincadeiras para crianças e músicas típicas trouxeram alegria e marcaram a comemoração do Dia Mundial do Refugiado no sábado (22) na capital amazonense.

Cerca de 100 venezuelanos indígenas e não indígenas que moram em Manaus participaram da ação promovida por Cáritas Arquidiocesana de Manaus e Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). As ações tiveram início no Largo São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas, um dos principais pontos turísticos da cidade.

Participantes foram recepcionados em clima de festa e se concentraram ao redor do histórico monumento “Abertura dos Portos”, datado do final do século 19 e que representa os quatro cantos do mundo para simbolizar a abertura da região amazônica ao comércio internacional e o início de sua relação com povos de todo o planeta. Quase dois séculos depois, a abertura e a receptividade da comunidade local a outros povos ainda são características pelas quais o povo amazonense é conhecido.

Em uma mistura de espanhol, português e warao, frases de agradecimento e mensagens sobre direitos humanos estampavam cartazes que transmitiram a gratidão de refugiados e migrantes pela acolhida no país e, ao mesmo tempo, a dor de ter deixado tudo para trás. “O amor que sinto pelo Brasil não substitui o que sinto por meu país”, disse a enfermeira venezuelana Suzana, que chegou à cidade há dez meses com suas filhas.

O administrador Carlos*, de 28 anos, chegou da Venezuela há quatro meses com sua esposa. Além de participar da comemoração, aproveitou a oportunidade para vender limonada para ter uma renda enquanto busca emprego formal – ele tem dois diplomas universitários. “Estou aqui hoje porque tenho um sonho, quero fazer um mestrado em Relações Internacionais, estudar a situação dos refugiados no mundo e fazer algo para ajudar”, disse o jovem.

A caminhada se iniciou por volta das 8h30 rumo ao Colégio Brasileiro. Lá, a comemoração continuou com apresentações de dança típica, músicas venezuelanas, comida e muita emoção.

Para a venezuelana Suzana, mestre de cerimônias da festa, a comemoração foi um momento para refletir sobre sua saída da Venezuela. “É uma grande satisfação estar aqui. Mas também estou comovida, pois, na verdade, nunca acreditei que teria que sair do meu país e passar por tudo o que passamos. Mas hoje posso dizer que Manaus nos acolheu muito bem”, declarou.

As manifestações culturais ganharam forte expressão com a dança típica em apresentações ao som do estilo Joropo, bem como um baile warao de mulheres, que foi aclamado pelos participantes. Antes da apresentação, uma das mulheres apresentou o grupo. “Os povos indígenas são originários, resistimos por nossa cultura e nosso povo. Hoje, estamos aqui porque queremos lembrar que temos os mesmos direitos”, disse.

Para a assistente de proteção do ACNUR, Juliana Serra, é fundamental promover atividades lúdicas e culturais que gerem bem estar na comunidade venezuelana. “Conhecendo o perfil da população refugiada em Manaus, sabemos dos desafios enfrentados e quão valioso são os momentos de descontração e alegria em meio às longas jornadas de trabalho e a vulnerabilidade de estar em um novo país como refugiado”, afirmou.

Quem recebeu atenção especial foram as crianças, que contaram com atividades e brincadeiras de uma equipe de recreação da empresa “Brincando no Ateliê”, que se voluntariou para a ação. Segundo a proprietária, Vanessa Carvalho, foi a primeira vez que a equipe trabalhou com crianças refugiadas. “Conseguimos escalar quatro pessoas que falam espanhol e deu certo, foi muito gratificante. Na hora de brincar, crianças são todas iguais. O que precisam é serem acolhidas e terem momentos de felicidade, liberdade, e poder resgatar essas brincadeiras”, disse.

Até o fim de abril, Manaus já registou mais de 16 mil solicitações de refúgio por parte de venezuelanos, ficando atrás apenas de Boa Vista e Pacaraima (RR). De acordo com dados da Polícia Federal, a estimativa é de que 168 mil pessoas da Venezuela vivam atualmente em território nacional.

Segundo o coordenador de projetos da Cáritas Manaus, o diácono Afonso de Oliveira Brito, comemorar a data é uma maneira de relembrar a tradição multicultural da cidade.

“O Dia Mundial do Refugiado e a Semana do Migrante, celebrados em datas próximas, representam muito para nós. O objetivo é sempre a acolhida, e poder relembrar a história de Manaus, que é uma cidade de miscigenações, de diversas comunidades.”

“É o momento de dizer ‘sim’ a essa população que chega aqui e que nós sabemos que não é, na maioria das vezes, por vontade própria. O mais legal de tudo é quando o povo está aberto para receber essas pessoas, e o amazonense tem essa característica.”

* Nomes trocados por motivos de segurança.


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