Camarões: Especialistas da ONU denunciam violações de direitos indígenas por universidade privada

Foto: IRIN/Gwenn Dubourthoumieu (arquivo)

Especialistas independentes das Nações Unidas sobre os direitos de minorias e grupos indígenas mostraram-se preocupados com os despejos e a demolição de casas na comunidade pastoril dos Mbororo, em Camarões, e pediram uma solução para o sofrimento dos nativos.

Estima-se que 300 pessoas tenham sido expulsas e desabrigadas de suas terras ancestrais em Banjah, Bamenda. O episódio marca um novo capítulo na longa disputa de terras entre a comunidade Mbororo local e a Universidade Católica de Camarões.

“Indígenas não podem ser realocados à força de suas terras ou territórios”, disse um dos especialistas, James Anaya, nesta quinta-feira (10), citando a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Já a especialista Rita Izsák pediu “às autoridades da Universidade para que repensem suas ações e considerem seu impacto na comunidade”.

As comunidades pastoras dos Mbororo representam em torno de 12% da população de Camarões e, muitas vezes, sofrem com conflitos por posse de terras e acesso a água. Embora a Universidade afirme ter pagado uma compensação, membros da comunidade dizem que foram enganados e que nunca abandonariam suas terras – ocupadas desde 1904.