BRICS podem ter papel de liderança no combate à fome, diz agência da ONU

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Enquanto o tempo passa rumo ao prazo de 2030 para atingir os objetivos globais de erradicar a fome e a pobreza, a agência das Nações Unidas para a agricultura afirmou que cinco importantes economias emergentes, conhecidas como BRICS, estão bem posicionadas para ter papel de liderança em ajudar o mundo a atingir essas metas.

Para a representante regional da FAO, Kundhavi Kadiresan, os programas de proteção social adotados nesses países têm papel essencial no desenvolvimento rural, reduzindo a pobreza, beneficiando a saúde e fortalecendo a confiança dos agricultores familiares.

Plantação de arroz em Chengdu, Sichuan, na China. Foto: ONU/John Isaac. (arquivo)

Plantação de arroz em Chengdu, Sichuan, na China. Foto: ONU/John Isaac. (arquivo)

Enquanto o tempo passa rumo ao prazo de 2030 para atingir os objetivos globais de erradicar a fome e a pobreza, a agência das Nações Unidas para a agricultura afirmou nesta sexta-feira (16) que cinco importantes economias emergentes, conhecidas como BRICS, estão bem posicionadas para ter papel de liderança em ajudar o mundo a atingir essas metas.

Os cinco países — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — formam um bloco econômico que responde por mais de 40% da população mundial e mais de 20% do PIB global. Juntos, eles produzem mais de um terço da produção global de cereais, sendo a Rússia o maior exportador de trigo no mundo.

“Os BRICS têm um importante papel político na arena internacional. Os países em desenvolvimento no mundo olham para o sucesso do desenvolvimento econômico desses países nas últimas décadas como um exemplo a seguir”, disse Kundhavi Kadiresan, representante regional para a Ásia e Pacífico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante a 7ª Cúpula dos Ministérios de Agricultura dos BRICS em Nanjing, China.

Kadirelso afirmou que os programas de proteção social adotados nesses países têm papel essencial no desenvolvimento rural, reduzindo a pobreza, beneficiando a saúde e fortalecendo a confiança dos agricultores familiares.

“As experiências desses países fornecem um caminho que pode nos ajudar a atingir nossos compromissos coletivos globais, especificamente aqueles da Agenda 2030 e seus 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris (para o clima”, acrescentou Kadiresan.

Ela afirmou ainda que, apesar das tendências rumo à urbanização, acelerar o desenvolvimento rural será uma questão-chave para atingir os ODS. “A questão é como podemos fazer isso”, disse a representante regional.

“Nossas experiências em países de diferentes partes do mundo mostraram que isso pode ser feito por meio de uma combinação de crescimento agrícola e proteção social, mas também por meio do crescimento rural pela economia não agrícola”, completou.

Ela lembrou que a agricultura pode ser um impulsionador de um crescimento rural sustentado e inclusivo, afirmando que “em países de baixa renda, o crescimento originado da agricultura é duas vezes mais efetivo em reduzir a pobreza do que o originado de outros setores da economia”.

Todas as ferramentas, abordagens e tecnologias também precisam estar acessíveis a agricultores mais pobres dos países em desenvolvimento para uma maior produção e produtividade.

A representante regional citou como exemplo Fetsa Tlala, da África do Sul, uma iniciativa governamental para apoiar a subsistência e a expansão da terra cultivada e da produção de alimentos de pequenos agricultores.

Crescimento agrícola

Para atingir o crescimento agrícola, é preciso ter pesquisa e desenvolvimento, nas quais o grupo dos BRICS poderia ter papel de liderança, já que os cinco países têm fortes sistemas de pesquisa agrícola enfrentando os desafios dos países em desenvolvimento. As abordagens biotecnológicas e agroecológicas serão essenciais nesse processo, segundo a FAO.

As tecnologias da informação e da comunicação (TICs) estão se tornando mais disseminadas a cada dia, e elas oferecem a promessa de enfrentar muitos dos desafios dos pequenos agricultores em relação a informação sobre preços, previsões meteorológicas, vacinas, serviços financeiros e muito mais.

A FAO está colaborando com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Instituto Internacional de Pesquisas sobre Políticas Alimentares para garantir que essas tecnologias beneficiem os pequenos agricultores.


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