Brexit: saída sem acordo beneficiaria China e Estados Unidos

Um Brexit sem acordo afetaria duramente as exportações do espaço europeu, com prejuízos de 34,5 bilhões de dólares para a UE. Mas a ruptura traria um incremento de 10,2 bilhões de dólares nas exportações da China para os britânicos. As previsões são de relatório divulgado neste mês (9) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Londres, no Reino Unido. Foto: Flickr (CC)/Hernán Piñera

Londres, no Reino Unido. Foto: Flickr (CC)/Hernán Piñera

Um Brexit sem acordo afetaria duramente as exportações do espaço europeu, com prejuízos de 34,5 bilhões de dólares para a UE. Mas a ruptura traria um incremento de 10,2 bilhões de dólares nas exportações da China para os britânicos. As previsões são de relatório divulgado neste mês (9) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

O organismo internacional aponta que os Estados Unidos também se beneficiariam de uma retirada sem consenso da União Europeia, com ganhos em exportações de 5,3 bilhões de dólares. Já o Japão teria um aumento estimado em torno de 4,9 bilhões de dólares em vendas para Londres.

“A intenção do Reino Unido, de reduzir as tarifas de importação das nações mais ricas, aumentaria a competitividade dos principais países exportadores, como a China ou os Estados Unidos, o que reduziria a parcela de mercado (ocupada por alguns) dos países menos competitivos”, explica a diretora da Divisão de Comércio Internacional da UNCTAD, Pamela Coke-Hamilton.

“A Tailândia, a África do Sul, a Índia, o Brasil, a Rússia, o Vietnã e a Nova Zelândia também estão suscetíveis de preservar ganhos nas importações”, segundo a agência da ONU.

De acordo com a instituição, o mercado britânico representa em torno de 3,5% do comércio mundial. No ano passado, Londres importou um valor total de quase 680 bilhões de dólares em bens e mercadorias. Mais da metade dessas importações — cerca de 360 bilhões de dólares — vinham de Estados europeus. Em 2018, o Reino Unido era o quinto maior importador da União Europeia.

A UNCTAD alerta que a possibilidade de um Brexit sem acordo teria “custos consideráveis”, principalmente para a UE, que poderia perder 34,5 bilhões de dólares em exportações para o Reino Unido. O relatório do organismo internacional mostra também que o segundo maior prejudicado seria a Turquia, com redução de 2,4 bilhões de dólares em suas exportações.

Entre outros países em risco de perdas nas exportações, o estudo da agência da ONU cita Coreia do Sul, Paquistão, Noruega, Islândia, Camboja e Suíça.

“O Brexit não é apenas uma questão regional”, acrescenta Pamela. “Quando o Reino Unido deixar os seus 27 parceiros da União Europeia, isso alterará a capacidade dos países que não pertencem à UE de exportar para o mercado britânico.”

De acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), um país não pode dar tratamento preferencial a um parceiro comercial e tem que aplicar as mesmas taxas a todos, exceto em caso de acordo comercial.

A UNCTAD explica que, até o momento, muitas economias emergentes se beneficiavam dos regimes preferenciais adotados pela UE — os quais, por sua vez, favoreciam o acesso ao mercado britânico.

“Os países que desejarem preservar esse acesso ao mercado devem, portanto, negociar — e rapidamente — com o Reino Unido”, ressalta a agência da ONU.

O organismo internacional lembra que existem cerca de 70 acordos comerciais entre a União Europeia e outros Estados, mas essas tratativas são difíceis de serem reproduzidas e as negociações levam tempo.

Em muitos casos, os acordos entre o Reino Unido e países fora do bloco europeu, os chamados acordos de continuidade, ainda não foram assinados e existe uma grande incerteza sobre a conclusão ou não dessas tratados num futuro próximo.

“Para evitar as consequências negativas para os países em desenvolvimento, as tarifas de importação do Reino Unido sobre as nações mais ricas, para exportações muitas vezes essenciais para os países de renda baixa, como a cana-de-açúcar e a banana, não devem ser reduzidas de maneira substancial”, completa Pamela.


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