Brasileiros e estrangeiros atuam como voluntários e fazem a diferença no Brasil

No Dia Internacional do Voluntário, integrantes de organizações não governamentais e da ONU se reuniram para celebrar a prática do voluntariado. Estrangeiros e brasileiros puderam mostrar para o público as atividades que desenvolvem para tornar o mundo um lugar melhor.

Michelle Elsaesser é alemã e uma das únicas voluntárias estrangeiras da ONU atuando no Brasil. Atualmente, ela trabalha no Rio+ Centro de Desenvolvimento Sustentável. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

Michelle Elsaesser é alemã e uma das únicas voluntárias estrangeiras da ONU atuando no Brasil. Atualmente, ela trabalha no Rio+ Centro de Desenvolvimento Sustentável. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

Integrantes de organizações não governamentais e das Nações Unidas se reuniram neste sábado (5), em evento realizado pelo Programa de Voluntários da ONU (UNV), no Rio de Janeiro, para celebrar o Dia Internacional do Voluntário. A comemoração contou com apresentações musicais, teatrais, de dança e de lutas, além de oficinas e outras atividades culturais. A festa foi organizada em parceria com a plataforma Atados, que conecta pessoas que desejam realizar trabalho voluntário a diferentes ONGs. A organização começou a atuar na capital fluminense recentemente.

Entre os voluntários que compareceram ao evento, onde 30 ONGs se reuniram para uma feira de voluntariado, estava Roberta Azevedo, fundadora da Associação Amparando Jardim Gramacho. A organização auxilia famílias da região há cerca de um ano, recebendo crianças que não podem ficar sozinhas enquanto os pais trabalham durante o dia. A Amparando oferece refeições e aulas para os jovens, além de prestar outros serviços de assistência social à comunidade. Na instituição, todos são voluntários.

Voluntárias da Associação Amparando Jardim Gramacho participaram do evento, organizado pelo Programa de Voluntários das Nações Unidas e pela plataforma Atados. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

Voluntárias da Associação Amparando Jardim Gramacho participaram do evento, organizado pelo Programa de Voluntários das Nações Unidas e pela plataforma Atados. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

Roberta resolveu criar a Associação depois de trabalhar por 12 anos como professora da rede pública de ensino. A fundadora queria “ir além dos muros da sala de aula” para assistir mães e famílias. Depois de se formar em serviço social, a fundadora decidiu se dedicar ao voluntariado, uma atividade que, segundo ela, exige “responsabilidade, amor ao próximo e solidariedade”.

Outra organização presente na comemoração foi a Teto, instituição que constrói moradias emergenciais em comunidades de extrema pobreza, em toda América Latina e no Caribe, além de mapear problemas de desenvolvimento e buscar soluções para questões locais. O trabalho é desenvolvido em contato próximo com os moradores das regiões assistidas. “A gente não é só ‘casa’ realmente, a gente é uma plataforma para mostrar que eles (moradores das regiões) têm direitos e eles podem crescer sozinhos também”, disse a voluntária Ana Flávia Farias.

Para a voluntária Natasha Martin Lau Letta, estudante de Direito que atua junto à Teto desde julho desse ano, o trabalho na organização terá influências sobre sua trajetória profissional. “Eu penso em ser juíza ou defensora pública, não tenho certeza ainda, mas eu tenho certeza  que o que eu estou fazendo hoje vai me tornar uma pessoa mais consciente, porque, se eu tiver que decidir sobre a vida de alguém no futuro, eu não vou pensar de uma forma elitista ou de uma forma segregacionista. Eu vou pensar no todo, no que que aquela decisão pode gerar para um todo”.

De acordo com a estudante, a prática do voluntariado significa “doar o tempo que eu tenho em prol de fazer o bem pra outras pessoas”. “A força que me move é saber que vão ter pessoas que vão dormir com um teto mais digno e vão dormir melhor“, disse. Natasha quer que as pessoas assistidas pela Teto tenham as mesmas oportunidades que ela teve ao longo de sua vida.

Voluntárias da organização TETO dedicada à construção de moradias emergenciais em comunidades de extrema pobreza em toda América Latina e o Caribe. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

Voluntárias da organização TETO dedicada à construção de moradias emergenciais em comunidades de extrema pobreza em toda América Latina e o Caribe. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

Estrangeiros também fazem a diferença no Brasil

A voluntária das Nações Unidas, Michelle Elsaesser, também participou do evento, informando o público a respeito das possibilidades de trabalho voluntário nas agências da ONU. Michelle é alemã e é uma das únicas voluntárias estrangeiras que atua no Brasil pelas Nações Unidas.

Depois de trabalhar como voluntária em outras instituições, no interior do Rio Grande do Sul, onde se envolveu com catadores de lixo e com centros educacionais das periferias, Michelle conseguiu uma vaga no Centro Rio+ de Desenvolvimento Sustentável, escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) localizado no Rio de Janeiro.

Lá, a voluntária tem desenvolvido uma plataforma de conscientização a respeito dos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, recém-adotados pelos Estados-membros da ONU. O portal será voltado para os mais jovens e deverá ser lançado em meados de dezembro, antes da Conferência Nacional da Juventude. Para Michelle, o voluntariado permitiu trocas culturais importantes entre ela e o público brasileiro.

A estudante italiana, Federica Polazzi, é uma das criadoras da Favela Verde, organização que atua na comunidade da Rocinha. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

A estudante italiana, Federica Polazzi, é uma das criadoras da Favela Verde, organização que atua na comunidade da Rocinha. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

Outra estrangeira que atua na capital fluminense é Federica Polazzi, jovem italiana que estuda no Brasil e se dedica à organização Favela Verde. A entidade desenvolve atividades de conscientização ambiental na comunidade da Rocinha, em especial, nos trechos onde as moradias se aproximam ao limite do Parque Nacional da Tijuca. Na organização, brasileiros e estrangeiros, vindos da França, da Itália e da Espanha, se articulam para evitar o desmatamento, ao mesmo tempo em que buscam soluções para problemas vividos pelos moradores.

Federica disse que aprendeu muito desde que começou a trabalhar na Rocinha, onde “o espírito comunitário é muito forte”. Para a italiana, ser voluntária significa “fazer as coisas com amor, como se estivesse trabalhando”. “No mundo em que estamos, sobretudo no último mês, no mundo internacional, assim tiveram muitos problemas ambientais e de terrorismo, a gente sabe que temos que mudar essa nossa visão individual, de egoísmo, de só querer ganhar dinheiro para a gente. E (ser) voluntária, pra mim, é uma boa maneira de começar um caminho diferente, para se dar conta de outras realidades”, afirmou.