Brasileiro chefe de investigação apoiada pela ONU prevê piora no conflito da Síria

Em visita ao país, Paulo Sérgio Pinheiro ouve relatos sobre novo fluxo de armas e munições para forças do governo e da oposição.

Após retornar de uma visita de três dias à capital Damasco, o brasileiro que lidera a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, disse na quarta-feira (27/06) ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, que violações flagrantes ocorrem em meio a combates cada vez mais militarizados. Para ele, o cenário deverá se agravar nos próximos meses.

Pinheiro teve acesso a relatos de um fluxo de novas armas e munições tanto para as forças do Governo como para os grupos de oposição. Ele acrescentou que algumas áreas têm características de um “conflito armado interno”.

Pinheiro reuniu-se com funcionários do Governo, da ONU e membros da comunidade diplomática e da sociedade civil. Entre os assuntos discutidos com as autoridades esteve a investigação dos assassinatos em massa em Houla, onde mais de 100 pessoas foram mortas em confrontos armados entre forças do governo e da oposição.

“A comunidade internacional não pode falhar em exercer um esforço concentrado para colocar um fim à violência”, disse.

Novos esforços pela paz

O Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Países Árabes sobre a crise síria, Kofi Annan, informou ter convidado ministros de países membros do Grupo de Ação sobre a Síria, para discutir novas estratégias na implementação do plano de paz.

Foram convocados representantes dos Estados-Membros com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, além da Turquia, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o líder da Liga Árabe, Nabil Elaraby, União Europeia, Iraque, Kuweit e Catar.

A ONU estima que mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, tenham morrido na Síria desde o início dos protestos contra o Presidente Bashar al-Assad há 16 meses.