Brasileira integra novo órgão da ONU sobre clima e diz que jovens trazem criatividade e inovação

A partir desta semana (28), a brasileira Paloma Costa Oliveira passa a fazer parte do Grupo Consultivo da Juventude sobre Mudança Climática, que aconselhará o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Em entrevista à ONU News, a jovem advogada e defensora de direitos humanos diz que a iniciativa “é uma grande oportunidade para dar uma revigorada em tudo o que tem sido feito, trazendo uma nova perspectiva”.

Para ela, a criação do grupo significa que se chegou a um esgotamento de ideias e é necessário um espaço de criatividade e inovação, o que pode ser trazido pela juventude. Leia a entrevista na íntegra.

Paloma Costa Oliveira é advogada e defensora de direitos humanos. Ela coordenou delegações jovens em várias conferências climáticas. Foto: arquivo pessoal

A partir desta semana (28), a brasileira Paloma Costa Oliveira passa a fazer parte do Grupo Consultivo da Juventude sobre Mudança Climática, que aconselhará o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Em entrevista à ONU News, a jovem advogada e defensora de direitos humanos, que já coordenou delegações jovens em várias conferências climáticas, diz que a iniciativa “é uma grande oportunidade para dar uma revigorada em tudo o que tem sido feito, trazendo uma nova perspectiva”.

Para ela, a criação do novo grupo significa que se chegou num esgotamento de ideias e é necessário um espaço de criatividade e inovação, o que pode ser trazido pela juventude. Leia a entrevista na íntegra.

ONU News: Qual a importância da sua nomeação e da criação deste grupo?

A importância desta nomeação é a criação de um grupo histórico de assessores da juventude para o secretário-geral da ONU, nesta agenda de ação climática, que é uma pauta tão emergente, e que vai chegar a todos nós depois da COVID-19.

É, de fato, uma inclusão das nossas vozes. No último ano, em 2019, fizemos um trabalho incrível de levantar esta agenda, chamar realmente a atenção mundial sobre o tema e educar, socializar, democratizar toda a agenda climática para uma série de pessoas que não estava conectada com essa pauta ou não entendia a gravidade dessa crise, que vai chegar, e está chegando todo o dia cada vez mais forte para todos nós.

Então, eu acredito que vai ser um espaço muito histórico para a gente poder abrir caminhos, ter realmente uma participação efetiva de jovens nesses processos e onde a gente possa estar seguindo o que a gente faz como juventude, que a gente acredita que sejam novas formas de poder se organizar nesse mundo, que são rotacionais, escutando as diversas vozes, escutando a diversidade, e trazendo para a mesa essa série de soluções que estão acontecendo agora mesmo nos lugares mais remotos desse mundo.

ONU News: Por que é importante a inclusão de jovens? O que podem fazer diferente?

Eu acredito muito no poder e na potência da juventude, porque temos muita capacidade de mudar, mudar muito rápido e se adaptar.

Nessa minha pouca existência de vida, a gente já se adaptou a tantas coisas, a tantas formas de estar se relacionando, se conectando, aprendendo. Acredito que trazer a potência dessa juventude, que foi criada num universo onde é bombardeada o tempo todo com tanta informação, é uma grande oportunidade para dar uma revigorada em tudo o que tem sido feito. Trazendo uma nova perspectiva, trazendo uma nova forma de se relacionar.

Eu vejo que para nós, como juventude, algumas coisas são essenciais. Por exemplo, ter uma diversidade de vozes, estar em contato com pessoas na base, nas periferias, com juventudes do Sul Global, em diversos espaços, nas cidades, nos campos, nos territórios.

Se a gente não se unir como uma comunidade global para endereçar essa crise, a gente não tem chance. A gente vai estar articulando a nossa própria extinção.

Eu acredito que, quando a gente abre um espaço como esse, e pensa em juventude, é porque a gente já chegou num esgotamento de ideias e está querendo um espaço de criatividade e inovação, que é isso que a juventude traz e representa.

ONU News: Quais são os primeiros conselhos e propostas que tem para o secretário-geral?

Talvez um dos principais conselhos que vou tentar advogar ao lado dele, e eu sei que ele também já se posicionou, é dizer que a gente não pode esperar menos que uma super ambição para endereçar a crise climática. Até porque se a gente não se unir como uma comunidade global para endereçar essa crise, a gente não tem chance. A gente vai estar articulando a nossa própria extinção.

Então, o que eu quero dizer para ele é que a gente não tenha mais sossego, e que a gente não tenha corpo mole para países que realmente não têm ambição, países que realmente não se comprometem.

Eu estava analisando vários dos relatórios. Muitos países falam sobre vários problemas, mas poucos são os que realmente tomam a frente e endereçam as questões. O meu país era para ser um dos líderes nessa agenda, a gente tem um meio ambiente incrível, e não somos por questões internas, questões políticas. Não é assim que tem de ser. O meio ambiente é uma questão coletiva, uma questão de todos. E se a gente não tiver tocando isso como agenda número um, a gente não vai ter chance nenhuma.