Brasil vai ultrapassar Estados Unidos como maior produtor de soja até 2026

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

O Brasil vai ultrapassar os Estados Unidos como o maior produtor mundial de soja na próxima década, de acordo com o novo relatório Perspectivas Agrícolas 2017-2026 (em inglês), publicado por Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Grãos de soja. Foto: Jonas Oliveira/ANPr

Grãos de soja. Foto: Jonas Oliveira/ANPr

O Brasil vai ultrapassar os Estados Unidos como o maior produtor mundial de soja na próxima década, de acordo com o novo relatório Perspectivas Agrícolas 2017-2026 (em inglês), publicado na segunda-feira (10) por Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Durante o período analisado, a projeção é de que a produção mundial de soja continue expandindo-se, mas em um ritmo de 1,9% por ano, muito abaixo da taxa de crescimento de 4,9% anual da última década.

A expectativa é de que a produção de soja no Brasil cresça a 2,6% por ano, o maior crescimento dos principais produtores, comparado a Argentina (2,1% por ano) e Estados Unidos (1,0% por ano).

Consequentemente, projeta-se que o Brasil deverá ultrapassar os EUA como o maior produtor de soja. As exportações de soja em 2026 serão dominadas pelo Brasil e os Estados Unidos que, juntos, respondem por quase 80% das exportações mundiais.

O relatório também faz projeções para outros produtos agrícolas. O documento afirma que Argentina e Brasil experimentaram a maior expansão das áreas cultivadas nos últimos dez anos, somando respectivamente 10 milhões de hectares e 8 milhões de hectares às terras de plantio em todo o mundo. Nos próximos dez anos, a expectativa é de expansão similar para esses países.

O aumento da produção mundial de milho será impulsionado principalmente pela a América Latina, segundo o relatório. No período analisado, a produção mundial de grãos crescerá cerca de 1% por ano, o que levará a um aumento total em 2026 de 11% para o trigo, 14% para o milho, 10% para os grãos secundários e 13% para o arroz.

No caso de milho, a expansão da área representa apenas 10% do aumento total da produção, avanço impulsionado principalmente pelo crescimento da área cultivada na América Latina, que se ampliará 6,6%, de 33,5 milhões hectares no período base para 35,7 milhões de hectares em 2026.

A América Latina vai contribuir com 28% no aumento total da produção de milho, ou 39 milhões de toneladas. Desta cifra, aproximadamente um quarto deve-se ao aumento das superfícies plantadas.

A Ásia e o Pacífico responderão por 24% do aumento, ou 33 milhões de toneladas. Diferentemente da América Latina, o crescimento da Ásia e do Pacífico será quase que exclusivamente provocado pelo aumento dos rendimentos.

A América do Norte irá contribuir com 31 milhões de toneladas, 22% do aumento total. Juntas, estas três regiões representam 74% do aumento total.

 

Carne, açúcar e leite

Ainda que seja esperado que os países desenvolvidos representem mais da metade das exportações mundiais de carne para o ano de 2026, sua participação diminuirá de forma constante em relação ao período-base.

Contudo, a previsão é de que a participação dos dois maiores exportadores de carne — Brasil e Estados Unidos — nas exportações mundiais aumente para 44%, contribuindo com quase 70% do aumento previsto para as exportações mundiais do produto durante o período analisado.

O mercado de carne ficará mais concentrado na medida em que os fornecedores das Américas forem beneficiados com uma maior produtividade e fornecimento local favorável de grãos forrageiros, assim como com a depreciação do câmbio no Brasil e na Argentina.

O índice de concentração para o mercado de aves de curral em 2026 será impulsionado pelo crescimento do Brasil, dos Estados Unidos e da União Europeia. Para a carne bovina, a concentração do mercado também irá aumentar até 2026, impulsionada pelo crescimento no Brasil e na Austrália.

A depreciação projetada a médio prazo para as moedas argentina e brasileira em relação ao dólar americano vai estimular o crescimento das exportações de leite destes países na medida em que sejam mais competitivos.

A previsão é de que as exportações de açúcar mantenham-se concentradas, com 48% procedentes do Brasil, onde a produção de cana-de-açúcar é dividida entre o fornecimento de açúcar — dos quais 72% são exportados — e de etanol para uso doméstico.

Biocombustíveis

É esperado que a demanda brasileira de etanol expanda-se em 6 bilhões de litros no período analisado. O mandato brasileiro deveria alcançar 10% para o ano de 2019, o que resultaria em um aumento na produção de mais de 40% nos próximos dez anos.

Na Argentina, supõe-se que a obrigatoriedade da mistura de 12% de biodiesel e etanol será cumprida em 2020. A produção de biodiesel da Argentina também deveria ser impulsionada pela demanda de importações norte-americanas para cumprir com o mandato avançado deste último país.

Não é esperado que as exportações brasileiras de etanol sejam expandidas, já que é provável que o etanol norte-americano continue sendo mais barato no período analisado.

Espera-se que a Argentina seja um importante exportador de biodiesel, com a maioria das exportações voltadas para os Estados Unidos.

Também é projetada uma desaceleração no crescimento da produção de etanol durante o período analisado pelo relatório. O crescimento anual da produção de etanol está previsto em aproximadamente 1% ao ano.

A desaceleração do crescimento de etanol deve-se em grande parte à estagnação do uso obrigatório do etanol nos Estados Unidos, enquanto é esperado que a demanda de combustíveis para o transporte no Brasil seja mantida.


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