Brasil segue como maior receptor de investimento estrangeiro direto na América Latina, diz CEPAL

No entanto, país registrou leve queda de 2% em 2012 quando recebeu 65,3 bilhões de dólares, 41% dos fluxos regionais. CEPAL alerta para desafio da região de mudar sua estrutura produtiva para agregar valor.

Banco Central do Brasil, em Brasília (DF). Foto: Creative Commons/Andréia Bohner

Banco Central do Brasil, em Brasília (DF). Foto: Creative Commons/Andréia Bohner

De acordo com o relatório “O Investimento Estrangeiro Direto na América Latina e Caribe 2012”, o Brasil continua sendo o principal receptor de investimentos estrangeiros diretos (IED) na região, apesar da leve queda de 2% registrada em 2012, quando recebeu 65,3 bilhões de dólares, 41% dos fluxos regionais.

No ano passado, os aumentos mais importantes concentraram-se no Peru (que recebeu 12,2 bilhões de dólares) e no Chile (30,3 bilhões de dólares), transformando-se este último no segundo destino mais importante de IED.

Outros países que apresentaram aumentos em relação a 2011 foram Argentina (27%), Paraguai (27%), Bolívia (23%), Colômbia (18%) e Uruguai (8%). Na América Central, destacam-se os resultados de El Salvador (34%), Guatemala (18%), Costa Rica (5%), Honduras (4%) e Panamá (10%), que segue sendo o principal receptor desta sub-região.

O relatório foi produzido pela Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL) e divulgado nesta terça-feira (14) na sede da agência em Santiago, Chile.

Expansão de empresas brasileiras

Segundo o documento, as empresas brasileiras continuaram sua expansão no exterior e realizaram 7 das 20 maiores aquisições efetuadas por transnacionais latino-americanas em 2012. Além dos fluxos anuais de IED, o Brasil tem o maior nível de IED acumulado fora da América Latina, que ascende a mais de 200 bilhões de dólares.

O estudo afirma que, em 2012, o IED na América Latina e no Caribe cresceu pelo terceiro ano consecutivo e alcançou um novo recorde de 173,361 bilhões de dólares. O fato ocorreu num contexto internacional de acentuada redução dos fluxos mundiais de IED, o que torna ainda mais significativo o resultado alcançado pela região.

“Os resultados obtidos em matéria de investimento estrangeiro direto consideram o bom momento que atravessa a economia da América Latina. Entretanto, não vemos indícios muito claros de uma contribuição relevante do IED à geração de novos setores ou à criação de atividades de alto conteúdo tecnológico, considerando que um dos principais desafios que enfrenta a região é uma mudança em sua estrutura produtiva”, afirmou a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

Os fluxos de IED para o Caribe aumentaram pelo terceiro ano consecutivo, mas seguem abaixo do máximo alcançado em 2008. O principal receptor é a República Dominicana, onde as entradas cresceram 59% em 2012. Os Estados Unidos e os países da União Europeia continuam sendo os principais investidores na América Latina e no Caribe, destacando-se também o Canadá e o Japão.

O investimento direto das economias da América Latina e do Caribe no exterior cresceu 17% em 2012, alcançando 48,704 bilhões de dólares – o que marca um recorde histórico segundo o relatório. Os fluxos de IED da região se mantiveram em níveis altos durante os três últimos anos. Estes investimentos vieram principalmente do Brasil, Chile, Colômbia e México, sendo que em 2012 se concentraram quase exclusivamente no México e Chile.