Brasil registra mais de 50 mil homicídios por ano, alerta especialista do Banco Mundial

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Mais da metade das vítimas são jovens e 80% negros. Agência da ONU apoia iniciativas para reforçar as capacidades dos municípios e se concentrar nas regiões e grupos populacionais de maior risco.

Banco Mundial apoia o programa de segurança pública ‘Pacto pela Vida’, que está reduzindo a criminalidade em Pernambuco. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR/Divulgação

O Brasil registra mais de 50 mil assassinatos por ano, o que representa 30% de todos os homicídios da América Latina e do Caribe. Mais da metade das vítimas são jovens e 80% são negros, alertou o coordenador de Segurança Pública para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, Rodrigo Serrano-Berthet.

Juntos com o Brasil, Venezuela e Colômbia, na América do Sul; El Salvador, Guatemala e México, na América Central; e Belize e Jamaica, no Caribe, são os países com as maiores taxas de homicídio da região. Porém, outros países, como Peru, Argentina, Uruguai e Bolívia sofrem com outros crimes, como roubos e furtos. “Por isso, [a segurança] é a principal preocupação dos latino-americanos”, afirmou Serrano-Berthet.

O especialista do Banco Mundial ressaltou que, ao contrário de índices como a inflação, o desemprego e a pobreza, as taxas de violência não diminuíram ao longo das últimas décadas. A região concentra apenas 9% da população mundial, mas sofre mais de 30% dos homicídios. Sete dos dez países com as maiores taxas globais de homicídio estão na América Latina e no Caribe, sendo que 42 das 50 cidades com os maiores índices de assassinatos estão na América Latina, incluindo as primeiras 16.

Serrano-Berthet destaca São Paulo, Recife, Medellín e Bogotá como cidades que efetuaram políticas públicas que reduziram drasticamente as taxas de violência.

Banco Mundial apoia o programa de segurança pública "Pacto pela Vida", que está reduzindo a criminalidade em Pernambuco. Foto: Raul Buarque/SEI/DivulgaçãoSegundo ele, para melhorar a segurança, os policiais devem orientar ações de prevenção e controle, as leis devem restringir o uso de armas e álcool e o país deve ter iniciativas que forneçam oportunidades de trabalho e estudo para os jovens das áreas de risco, mobilizando as comunidades mais atingidas pela violência.

“Em relação a programas, as intervenções em idade precoce – ajudando as famílias para que as crianças cresçam em ambientes sociais protetores, onde se promovam comportamento pró-social e de integração com a comunidade e onde não seja permitida a violência no lar – têm mostrado efeitos muito benéficos em longo prazo, tanto em populações de outros países fora da região como em nações na América Latina e no Caribe”, ressaltou.

Apesar de contextos sociais diferentes, as estratégias de outros países podem também ser aplicadas nessa região. Os Estados Unidos, por exemplo, que lutam com o problema da segurança há mais de 30 anos, têm programas de visitas domiciliares a mães em situação de risco. Essa iniciativa reduziu em 82% o número de mães de baixa renda presas e em 72% as detenções de jovens entre 13 e 16 anos.

Outro modelo a ser seguido é o da cidade norte-americana de Chicago, que, através de atividades esportivas, conseguiu reduzir em 40% a taxa de criminalidade entre jovens em apenas um ano e melhorou o desempenho escolar juvenil.

Serrano-Berthet há três recomendações que orientam a ação do Banco Mundial na área de segurança pública na região: reconhecer que não existe uma varinha mágica para resolver o problema; concentrar-se nas regiões e grupos populacionais de maior risco, em particular os jovens; e reforçar as capacidades dos governos municipais, que são os mais afetados pela violência, para construir parcerias locais.

Nesse sentido, a agência da ONU apoia iniciativas como o “Pacto pela Vida”, que está reduzindo a violência em Pernambuco.


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