Brasil lança campanha de vacinação contra gripe com base em recomendações da ONU

Lançamento da campanha nacional de vacinação do Brasil contra a gripe em Porto Alegre (RS). Foto: Ministério da Saúde/Erasmo Salomão

O Ministério da Saúde do Brasil lançou nesta quarta-feira (10), em Porto Alegre (RS), uma campanha nacional de vacinação contra a influenza, também conhecida como gripe. Até 31 de maio, a pasta pretende vacinar 58,6 milhões de pessoas em 5.570 municípios e 34 distritos sanitários especiais indígenas. Os grupos prioritários da iniciativa foram escolhidos conforme as recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre os dias 10 e 18 de abril, serão priorizadas as gestantes e as crianças com idade de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias). Esses são os grupos considerados mais vulneráveis às complicações causadas pela doença.

A partir de 22 abril, a vacinação se estenderá aos demais públicos-alvo da campanha: puérperas (mulheres que deram à luz recentemente), profissionais da área de saúde, povos indígenas, pessoas idosas, professoras(es), pessoas com doenças crônicas e outras categorias de risco clínico, população privada de liberdade, incluindo adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medida socioeducativa, e funcionárias(os) do sistema prisional.

O dia D de mobilização será no 4 de maio – um sábado em que postos de vacinação de todo o país estarão abertos.

Quando a pessoa for se vacinar, é importante levar junto o próprio cartão de vacinação e o das filhas ou filhos. Assim, os profissionais de saúde poderão ver se são necessárias outras vacinas.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, já foram notificados 255 casos de influenza no Brasil este ano, com 55 óbitos. Os números foram avaliados até 23 de março.

No mundo, estima-se que a cada ano haja 1 bilhão de ocorrências de gripe, que resultam em até 650 mil mortes. A medida mais eficaz para prevenir a influenza grave e suas complicações é a vacinação.

Entre outras importantes ações preventivas, estão:

  • Lavar as mãos regularmente (com secagem adequada);
  • Evitar tocar nos olhos, nariz ou boca;
  • Tentar não manter contato próximo com pessoas doentes;
  • Autoisolamento precoce daqueles que se sentem mal, febris e apresentam outros sintomas da gripe;
  • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, usando tecidos e descartando-os adequadamente.

Os vírus da gripe sofrem mutações constantemente. Por isso, a Rede Global de Vigilância de Influenza da OMS (GISN, na sigla em inglês) — uma aliança de 144 Centros Nacionais de Influenza de todo o mundo — monitora os vírus que circulam em humanos. Três dessas instituições ficam no Brasil.

Estratégia global

A OMS lançou em março deste ano uma estratégia global de controle da influenza para o período 2019-2030. O novo plano busca prevenir a gripe sazonal, controlar a disseminação da gripe dos animais para os seres humanos e se preparar para a próxima pandemia da doença.

O marco da agência da ONU tem dois objetivos principais: o primeiro é construir nos países capacidades mais fortes de vigilância e resposta a doenças, prevenção e controle, bem como preparação. Para alcançar essa meta, a estratégia pede que todos os Estados-membros tenham um programa de influenza adaptado, capaz de contribuir para a preparação nacional e global, assim como para a segurança da saúde.

O segundo objetivo é desenvolver ferramentas melhores para prevenir, detectar, controlar e tratar a gripe. Exemplos disso são as vacinas, os antivirais e formas de tratamentos mais eficazes, além de medidas para tornar esses recursos acessíveis a todos os países.