Brasil e Peru notificaram novos casos de febre amarela desde janeiro, afirma OPAS

De acordo com informações do Ministério da Saúde do Brasil, foram confirmados 464 casos de febre amarela no país de 1º de julho de 2017 a 16 de fevereiro de 2018. Desses, 154 resultaram em mortes.

Desde janeiro, o Peru também registrou novos episódios da doença, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Vacina contra a febre amarela. Foto: EBC

Vacina contra a febre amarela. Foto: EBC

Brasil e Peru foram os dois países das Américas a registrar novos episódios de febre amarela desde janeiro, informou na semana passada (16) a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Em atualização epidemiológica, organismo regional apresenta dados disponibilizados por autoridades de saúde até 15 de fevereiro.

Os Estados-membros da agência regional da ONU registram dados em períodos diferentes, de acordo com as realidades locais. O Peru notificou três casos prováveis de febre amarela – um dos quais foi confirmado em laboratório – entre as semanas epidemiológicas 1 e 4, de 31 de dezembro de 2017 a 27 de janeiro de 2018.

Um casal foi infectado no distrito Callería, na província Coronel Portillo, no departamento de Ucayalli. O homem morreu, mas sua esposa recebeu alta. O terceiro caso envolve um morador de Unión Progreso, distrito de Inambari, no departamento de Madre de Dios. Todas as pessoas viviam em área de risco de transmissão da febre amarela, mas nenhuma havia se vacinado.

Já os informes de febre amarela do Brasil acompanham a sazonalidade da doença, associada sobretudo no verão, com aumento de casos geralmente de dezembro a maio.

De acordo com informações do Ministério da Saúde do Brasil, divulgadas um dia após o fechamento da atualização epidemiológica da OPAS, foram confirmados 464 casos de febre amarela no país de 1º de julho de 2017 a 16 de fevereiro de 2018. Desses, 154 resultaram em mortes.

Também foram confirmados casos da doença em dois viajantes europeus não vacinados, que estiveram em áreas do Brasil consideradas de risco para a febre amarela. Na avaliação da OPAS, esses episódios de infecção reforçam a necessidade de os países ampliarem a disseminação de recomendações para viajantes internacionais.

A OPAS convoca países a continuar os esforços para vacinar a população em risco, além de pedir a seus Estados-membros que tomem as medidas adequadas para manter viajantes informados e vacinados em regiões onde a imunização é recomendada.

Aedes albopictus

O alerta também registra que o Instituto Evandro Chagas, vinculado ao Ministério da Saúde brasileiro, identificou o vírus da febre amarela em mosquitos Aedes albopictus. Os insetos foram capturados em áreas rurais de Minas Gerais, em 2017. O significado da descoberta requer mais estudos, sobretudo para confirmar a capacidade de transmissão da febre amarela pela espécie.

Atualmente, o Brasil e o Peru são afetados apenas pela febre amarela silvestre. O último caso de febre amarela urbana registrado nas Américas ocorreu em 2008, no Paraguai.

Prevenção

A febre amarela é prevenida por uma vacina eficaz e segura. Em geral, 90% das pessoas levam dez dias a partir da data de vacinação para desenvolver imunidade ao vírus causador da doença. O índice sobe para 99% quando considerados indivíduos 30 dias após a vacinação.

A OPAS também lembra que é importante se proteger contra picadas de mosquitos, principalmente as pessoas que foram vacinadas há menos de dez dias e as que não podem receber o tratamento imunizante. Entre as recomendações, estão o uso de roupas que cubram a pele, a utilização de mosquiteiros impregnados com inseticida sobre as camas, mesmo durante o dia, e a aplicação de repelentes.