Brasil e parceiros, com apoio do PNUMA e da FAO, vão usar biodiversidade no combate à má alimentação

Projeto de Biodiversidade para Alimentação e Nutrição busca renovar ênfase na manutenção da variedade natural de grãos para combater a desnutrição. Investimentos somam 35 milhões de dólares.

Vendedores de rua na Índia (ONU/John Isaac).Brasil, Quênia, Sri Lanka e Turquia, lançaram o Projeto De Biodiversidade para Alimentação e Nutrição no sábado (28/04),  durante o Congresso Mundial de Nutrição 2012, realizado no Rio de Janeiro. A iniciativa, que busca renovar a ênfase na manutenção da variedade natural de grãos para combater a desnutrição, tem investimentos de 35 milhões de dólares, incluindo 5,5 milhões do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (Global Environmental Facility – GEF). A coordenação é da Biodiversity International, com apoio de implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

A ideia é tratar da pouca variedade da alimentação popular, com alimentos processados e pobres em nutrientes dominando as mesas, o que causa uma série de problemas de saúde. Um terço da população mundial sofre com a fome ou a nutrição deficiente de micronutrientes e a obesidade e doenças crônicas relacionadas a dietas pobres atingiram níveis alarmantes.  A diversidade de grãos e afins, árvores, animais, micróbios, e outras espécies que contribuem para a produção de alimentos pode contrapor essas tendências, segundo o Diretor-Geral da Biodiversity International, Emile Frison.

O Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), Bráulio Dias, disse que “para dar resposta aos desafios de alimentar uma população mundial de cerca de 9 bilhões de pessoas até 2050, precisamos considerar não só a produção sustentável de alimentos suficientes, mas também trabalhar para diversificar a nutrição, o que significa oferecer uma dieta saudável a todos”.

Os resultados intensificarão o desenvolvimento de políticas e estruturas regulatórias para a promoção da conservação e uso sustentável de alimentos importantes, porém subutilizados, que normalmente são mais nutritivos e mais bem adaptados aos ambientes locais, oferecendo assim menos impactos aos ecossistemas.