Brasil e Paraguai lançam campanha para intensificar vacinação em áreas de fronteira

Brasil e Paraguai lançaram nesta segunda-feira (16) em Ponta Porã (MS) uma campanha para intensificar a vacinação na fronteira entre os dois países. A iniciativa é parte de uma ação mais ampla que busca aumentar a cobertura vacinal contra sarampo, febre amarela e outras doenças nas cidades fronteiriças dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

A estratégia é fruto da solicitação do governo brasileiro para incluir a questão da imunização nas fronteiras na agenda de prioridades estabelecida em acordo de cooperação entre Mercosul e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Vacina contra a febre amarela. Foto: EBC

Vacina contra a febre amarela. Foto: EBC

Brasil e Paraguai lançaram nesta segunda-feira (16) em Ponta Porã (MS) uma campanha para intensificar a vacinação na fronteira entre os dois países. A ação busca aumentar a cobertura vacinal contra sarampo, febre amarela e outras doenças nas cidades fronteiriças dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

A campanha será realizada simultaneamente, conforme o calendário de imunização de cada país. Na Argentina, a ação vai acontecer em Bernardo de Irigoyen e Puerto Iguazú. No Brasil, em Ponta Porã, Dionísio Cerqueira, Barra do Quaraí, Foz do Iguaçu e Barracão. No Paraguai, em Pedro Juan Caballero e Ciudad del Este. No Uruguai, a campanha será em Bela Unión.

O pacote de fortalecimento da vigilância anunciado nesta segunda-feira pelo ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, traz ações voltadas aos temas: imunização; vigilância; Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) de Fronteira; Laboratório de Fronteira; e capacitação de profissionais.

Esse conjunto de estratégias é fruto da solicitação do governo brasileiro para incluir a questão da imunização nas fronteiras na agenda dos eixos prioritários estabelecidos no Memorando de Entendimento de Cooperação entre o Mercosul e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

“Estamos fazendo aqui, em Ponta Porã, um ato simbólico, que representa toda a área de fronteira nacional. Podemos aumentar em muito essas parcerias com os países que fazem fronteira com o Brasil, garantindo proteção para todos”, afirmou Mandetta.

De acordo com a representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Socorro Gross, a vacina é a intervenção mais custo efetiva em saúde, mas exige o compromisso de políticos, mães, pais, profissionais de saúde e todas as pessoas.

“Vivemos hoje em um mundo complexo, onde ninguém pensava que teríamos mortes de crianças por sarampo na Europa, em países desenvolvidos, porque perdeu-se o norte, perdeu-se esse valor que temos na vacinação para nossa vida. Hoje, nós da OPAS, nos unimos aos esforços de Brasil, Paraguai, Mercosul e outros países da nossa região das Américas para o resgate que temos que fazer do valor da vacinação.”

A estratégia anunciada pelo ministro da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai, Julio Daniel Mazzoleni Insfrán, inclui, além da vacinação, a disponibilidade de vacinas nos serviços de saúde, a realização de visitas domiciliares, com brigadas de vacinação nos territórios escolhidos.

“Saúde e doença não têm nacionalidade. Solidariedade e esforço também não. Este é um mesmo povo. Muitas famílias têm integrantes das duas nacionalidades. Vamos arregaçar as mangas e começar a vacinar”, disse o ministro.

Segundo o representante da OPAS/OMS no Paraguai, Roberto Escotto, nas fronteiras, além do intercâmbio social, econômico e cultural, há o compartilhamento de fatores de risco. “Mas também há compartilhamento de fatores de proteção à saúde, como este evento. Parabenizamos os Estados-membros do Mercosul por esta iniciativa que busca integrar esforços para fechar as lacunas na cobertura vacinal em áreas fronteiriças e, assim, reduzir os riscos de doenças como sarampo e febre amarela.”

Apoio

A OPAS tem dado amplo suporte ao governo do Brasil e dos estados brasileiros na resposta aos surtos de febre amarela que afetaram o país nos últimos anos. Entre as ações em apoio estiveram o envio de vacinas, treinamentos, contratação de vacinadores, controle de mosquitos transmissores da doença, criação de salas de situação para análise de dados, auxílio na compra de seringas, desenvolvimento da estratégia de vacinação com doses fracionadas (usada nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, em 2018) e o trabalho em campo, juntamente com as autoridades nacionais e locais.

Em relação ao sarampo, a OPAS está ajudando o Brasil na compra de 18,7 milhões de vacinas e, junto com o Ministério da Saúde, está apoiando o estado de São Paulo no fortalecimento de seu sistema de vigilância epidemiológica e laboratorial, bem como na condução de análises para determinar a população não vacinada e as necessidades de vacinas.

Em 2018, o organismo internacional auxiliou o governo federal no fornecimento de seringas, na compra de materiais para manter a temperatura adequada das vacinas, na contratação de profissionais, aluguel de veículos para transporte de equipes de saúde, planejamento de ações de imunização e no envio de especialistas para apoiar as autoridades nacionais e locais no estado de Roraima. No mesmo ano, a OPAS também apoiou as atividades de vacinação, vigilância, gestão, informação, educação, comunicação social, resposta rápida e mobilização de recursos no estado do Amazonas.

No Paraguai, a OPAS apoia a aquisição de todas as vacinas que compõem o esquema nacional de vacinação por meio do Fundo Rotatório. Além disso, colabora com o fortalecimento da vigilância epidemiológica, da capacidade de recursos humanos e da formação de equipes de resposta rápida, além da aquisição de reagentes, amostras para centros regionais, bem como a investigação e classificação de casos.

Em 2019, três países das Américas notificaram casos confirmados de febre amarela: Bolívia, Brasil e Peru. Já o sarampo foi identificado em 14 países, com o maior número de casos registrados nos Estados Unidos, Brasil e Venezuela. Também houve casos na Argentina, Bahamas, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curaçao, México, Peru, Santa Lúcia e Uruguai.