Brasil e ONU apoiam Laos no combate à fome

Representantes do governo brasileiro e da ONU foram ao Laos neste mês para debater os desafios do combate à fome. Reuniões apresentaram projetos adotados no Brasil para diminuir índices de desnutrição. Foco das discussões foram iniciativas de alimentação escolar e proteção social.

Programas de alimentação escolar do Laos são inspirados em modelo brasileiro. Foto: PMA/Mariana Rocha

Programas de alimentação escolar do Laos são inspirados em modelo brasileiro. Foto: PMA/Mariana Rocha

Representantes do governo brasileiro e da ONU foram ao Laos neste mês para debater os desafios do combate à fome. Reuniões apresentaram projetos adotados no Brasil para diminuir índices de desnutrição. Foco das discussões foram iniciativas de alimentação escolar e proteção social.

Em 2014, uma delegação do Laos visitou o Brasil com o apoio do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (PMA), um organismo criado pelas Nações Unidas e pelo país sul-americano para difundir iniciativas capazes de eliminar a subnutrição. No mesmo ano, o Laos criou um programa de fornecimento de refeições em centros de ensino, implementado com ajuda substancial da ONU.

Composta por profissionais da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Centro de Excelência do PMA e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), a equipe brasileira que esteve no Laos de 19 a 23 de fevereiro pôde conhecer três escolas onde os estudantes recebem merenda.

Atualmente, o PMA desenvolve um plano, de duração estimada em 18 meses, para transferir a gestão da alimentação escolar para o governo do país asiático. Em 2019, 500 escolas terão sua administração assumidas pelas autoridades e comunidades do Laos. Isso corresponde a 30% dos colégios que recebem apoio da agência da ONU. Até 2021, outras 950 instituições de aprendizado passarão para o controle do governo.

A estratégia do Laos é inspirada no modelo brasileiro de alimentação escolar, que combina a demanda das escolas à oferta da agricultura familiar. O país asiático tem desenvolvido ações na área de nutrição, para garantir refeições equilibradas nos colégios, e desenvolvimento agrícola, com um projeto-piloto dando assistência técnica a pequenos produtores rurais que vendem alimentos para centros de ensino.

Em Vientiane, cerca de cem representantes de províncias, ministérios e setor privado participaram de um diálogo sobre a eficácia e os problemas dos atuais projetos de alimentação escolar. Os programas do Brasil foram tema das discussões, que abordaram questões como fontes de financiamento, coordenação entre ministérios, articulação com o setor agrícola e o papel dos nutricionistas no planejamento de cardápios e em ações de educação nutricional.

A pauta do encontro também incluiu o sistema de cadastro único do Brasil, que simplifica a prestação de assistência social, e legislações que formalizam e estruturam a governança dos programas de alimentação escolar.