Brasil confirma primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus

O estado do paciente não é grave, ele não está hospitalizado e deve permanecer em casa até a resolução completa dos sinais e sintomas. Cuidadores e trabalhadores de saúde foram orientados a monitorar a saúde dele por 14 dias, por meio de visita domiciliar.

No atendimento, foram adotadas medidas preventivas para transmissão por gotículas, feita coleta de amostras e realizados testes para vírus respiratórios comuns e o exame específico para diagnóstico, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) tem trabalhado com os Ministérios da Saúde dos países das Américas na preparação para lidar com esses casos importados.

Uma ilustração digital do coronavírus mostra sua aparência com formato de coroa. Foto: CDC

Uma ilustração digital do coronavírus mostra sua aparência com formato de coroa. Foto: Centro de Controle e Prevenção de Doenças

O Brasil confirmou nesta quarta-feira (26) o primeiro caso importado do novo coronavírus. Trata-se de um homem de 61 anos, morador da cidade de São Paulo, que esteve na Itália, na região da Lombardia, a trabalho, sozinho, no período de 9 a 21 de fevereiro deste ano. No dia 23 de fevereiro, ele apresentou sinais e sintomas compatíveis com a doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19): febre, tosse seca, dor de garganta e coriza.

Em 25 de fevereiro, ele procurou atendimento médico no Hospital Israelita Albert Einstein, que registrou então a notificação de caso suspeito. No atendimento, foram adotadas medidas preventivas para transmissão por gotículas, feita coleta de amostras e realizados testes para vírus respiratórios comuns e o exame específico para diagnóstico, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo estão realizando a identificação dos contatos do homem no domicílio, no hospital e no voo, com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) junto à companhia aérea.

O estado do paciente não é grave, ele não está hospitalizado e deve permanecer em casa até a resolução completa dos sinais e sintomas. Cuidadores e trabalhadores de saúde foram orientados a monitorar a saúde dele por 14 dias, por meio de visita domiciliar.

Além do caso confirmado importado da Itália, o Ministério da Saúde do Brasil monitora 20 casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus. Ao todo, outros 59 casos suspeitos já haviam sido descartados após exames laboratoriais apresentarem resultados negativos.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) tem trabalhado com os Ministérios da Saúde dos países das Américas na preparação para lidar com esses casos importados. No Brasil, a OPAS organizou em fevereiro, junto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde do país, um treinamento para nove países sobre diagnóstico laboratorial do novo coronavírus. Participaram da capacitação especialistas da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

Em janeiro deste ano, a OPAS doou ao Brasil primers e controles positivos, que são materiais essenciais para diagnóstico do coronavírus. O organismo internacional também tem apoiado o país no monitoramento da situação epidemiológica e na tradução para português de guias e protocolos da OMS.

Além disso, a OPAS está colaborando com a realização de um workshop do Ministério da Saúde para adaptar e revisar as diretrizes de gestão clínica da OMS para o contexto do Brasil.

Medidas para se proteger

As recomendações da OPAS e da OMS para reduzir a exposição a uma série de infecções e para não transmiti-las são:

• Lave as mãos com água e sabão ou com desinfetantes para mãos à base de álcool;

• Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com o cotovelo flexionado ou com um tecido – jogue fora o tecido imediatamente e higienize as mãos;

• Se tiver febre, tosse e dificuldade de respirar, procure atendimento médico assim que possível e compartilhe seu histórico de viagens com o profissional de saúde;

• Evite contato próximo sem proteção adequada com qualquer pessoa com sintomas semelhantes aos da gripe ou resfriado.

• Cozinhe bem a comida, especialmente carne e ovos.

• Se visitar mercados de animais vivos em áreas onde foram notificados casos do novo coronavírus, evite o contato direto sem proteção adequada com animais vivos e com superfícies em contato com esses animais;

• Evite o consumo de produtos de origem animal crus ou mal cozidos. Carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, conforme as boas práticas de segurança alimentar.

O uso de máscaras não é necessário para pessoas que não apresentem sintomas respiratórios. A OPAS e a OMS recomendam que as máscaras cirúrgicas sejam usadas por: pessoas com sintomas respiratórios, como tosse ou dificuldade de respirar, inclusive ao procurar atendimento médico; profissionais de saúde e pessoas que prestam atendimento a indivíduos com sintomas respiratórios; e profissionais de saúde, ao entrar em uma sala com pacientes ou tratar um indivíduo com sintomas respiratórios.

Mais informações

Folha informativa sobre COVID-19, com número de casos, histórico e respostas para as perguntas mais frequentes
Vitrine de conhecimentos da BIREME sobre o COVID-19