Brasil compensa emissões de gases de efeito estufa resultantes de grandes eventos

Relatório divulgado às vésperas da Conferência do Clima em Paris cita a Rio+20 e a Copa do Mundo no Brasil como exemplos a ser seguidos. Plano para a diminuição das emissões durante esses eventos contou com o apoio do Programa da ONU para o Desenvolvimento.

Medidas de emissão de gases de efeito estufa durante a Copa do Mundo no Brasil foram compensadas para minimizar o impacto da realização do megaevento. Foto: Foto: J.P.Engelbrecht/ PCRJ

Medidas de emissão de gases de efeito estufa durante a Copa do Mundo no Brasil foram compensadas para minimizar o impacto da realização do megaevento. Foto: Foto: J.P.Engelbrecht/ PCRJ

Nas vésperas do início da Conferência sobre o Clima em Paris, onde um novo acordo sobre mudança do clima estará em negociação, o Brasil foi citado como exemplo na realização de grandes eventos de forma sustentável. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) divulgou, em novembro, um vídeo sobre as compensações das emissões de gases de efeito estufa resultantes da Conferência Rio+20, de 2012, e da Copa do Mundo, de 2014.

Durante a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, o maior desafio das autoridades foi garantir, desde o preparo do evento, que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) fossem medidas para serem compensadas. Em seguida, tanto na preparação quanto na realização do evento, foram realizadas atividades visando a de redução das emissões de GEE. As emissões que não puderam ser reduzidas e que ocorrerem em função da organização do evento foram compensadas mediante o uso das “Reduções Certificadas de Emissões” (RCEs), provenientes de projetos brasileiros do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido pelo Protocolo de Quioto. O recurso ao MDL garante que as reduções sejam reais, adicionais e mensuráveis, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país.

“O uso de Reduções Certificadas de Emissões para compensar as emissões de carbono em grandes eventos fortalece e valida o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo como uma ferramenta essencial para aumentar a ambição de ação de todos no período pré-2020. O Governo brasileiro incentiva firmemente a anulação voluntária dos RCEs para esse propósito e irá apoiar o amplo reconhecimento desta ideia na COP-21, em Paris”, afirmou o diretor do departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, ministro Raphael Azeredo.

A construção da infraestrutura, o transporte de autoridades e fãs e a produção de resíduos durante a Copa do Mundo foram responsáveis pela emissão de aproximadamente um milhão e meio de toneladas de gases de efeito estufa. Após as medições de compensação do carbono, foram desenvolvidos programas para a redução dos gases do efeito estufa, que focaram na eficiência energética – painéis solares, gestão de resíduos – e reduziram as emissões em, aproximadamente, 14%.

Desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, o projeto para redução das emissões de gases de efeito estufa resultante da Copa do Mundo aplicou uma metodologia de cálculo para emissões geradas por atividades que estavam sob o controle do Governo Federal.

“Essa metodologia foi inovadora, pois permitiu a harmonização das nossas ações nas doze cidades que sediaram a Copa do Mundo. Isso permitiu o envolvimento dos mais diferentes setores e órgãos públicos e privados, nos níveis municipal, estadual e federal”, explica o diretor do Departamento de Adaptação à Mudança do Clima do MMA, Pedro Christ.

O Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) também contribuiu na formatação do plano para a diminuição das emissões resultantes dos eventos. “A estratégia de compensação de emissões de GEE resultantes de grandes eventos por meio do cancelamento das “Reduções Certificadas de Emissão” (RCEs), provenientes de projetos nacionais do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), foi um legado da Conferência Rio+20. Esperamos que esta experiência seja amplamente replicada, pois envolve metodologias internacionalmente reconhecidas, respeitando, ao mesmo tempo, as características nacionais”, disse o assessor sênior do PNUD/Brasil, que elaborou esta estratégia juntamente com o governo brasileiro, na época da Conferência realizada no Brasil.